Tenho saudades tuas. Tu sabes isso... Tenho a certeza de que daí de onde estás, do sítio para onde partiste, vislumbras toda a minha vida. Sei que me proteges, a mim e a eles. Sei que somos o que mais amas. Tu disseste... Quando todos achavam teres-te esquecido, calaste-os com o teu poder de finalização, da última palavra ! Oh, tenho tantas saudades da tua gargalhada... Aquela grande, alta que me fazia querer rir também só pela felicidade que emanavas. Talvez essa minha característica provenha de ti... Era teres-nos em tua casa e o teu dia estava completo ! Se dormíssemos lá então, havia festa até às tantas. Aprendi a jogar todos os jogos de mesa contigo. Chorava imenso quando perdia e eras tu que dizias Para a próxima ganhas, Nini... E ganhava. Porque tu deixavas. Falavas Alemão e por diversas vezes tentaste ensinar-mo, assim como eu tentei que aprendesses a ler e a escrever. Nenhuma de nós o conseguiu... Cresci contigo e se hoje sou uma mulher, devo-o em grande parte a ti. Nunca me dizias que não, pegava-te na mão e lá íamos nós... Quando passeávamos dizias a todos os conhecidos Esta menina já é minha bisneta ! E eu sorria pelo teu orgulho, gostava de me sentir assim... O teu motivo. Temos tantos momentos para relembrar... Oh e o teu pudim, o teu arroz, os teus assados... O teu arroz era o único que eu gostava. Tão soltinho... São pormenores que não vou conseguir ter de volta. Pormenores tão teus, que quando penso neles recordo a falta que me fazes. Fenómeno frequente na minha vida... Já são quase quatro meses sem ti. Parece que foi ontem o nosso último dia ! Fui comprar uma prenda lá perto de onde tu estavas e decidi ir visitar-te. Não demorei muito, dei-te o almoço e vim para casa também eu almoçar... Andávamos já todos cansados, a medo... Com medo do que poderia acontecer-te pelo estado fragilizado em que já te encontravas. Ninguém se pronunciava pelo pior... Acreditávamos todos que voltarias e fazíamos até planos para esse regresso... Que não aconteceu. À noite às vezes falo contigo, conto-te o que sucede no meu dia e agradeço-te. Ao mesmo tempo que partiste, fizeste com que alguém chegasse. Sim, eu sei que foste tu... Fizeste com que Ele me apoiasse, se tornasse o pilar da minha vida até hoje ! Ninguém te substituiu, mas foi uma ajuda. Tu sabes, não é ? Ele é o amor da minha vida. Já to disse, algures no escuro do meu quarto. Fazes-me um favor ? Cuidas de mim, aí onde estás ? Eu sei que cuidas e que não precisas que to peça, mas também sei que gostas de saber que te procuro, que me preocupo... Nunca me deixes. Eu gosto muito de ti, Avó !
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sábado, 4 de agosto de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
sou sincera, não pensei que me fosse doer tanto um acontecimento desta espécie.. nunca antes passara por uma perda tão próxima e não sabia o que era sentir que nunca mais iríamos ver alguém. não sabia o que era viver com a dor de ter alguém tão meu apenas como lembrança. foi surpreendente e, ao mesmo tempo, doloroso saber que te tinhas transformado. foi o choque de chegar a casa e as paredes estarem sozinhas recolhidas no seu silêncio; de à porta não ter encontrado os carros do costume, nem a azáfama habitual; foi o chegar à cozinha e deparar-me com a avó a chorar enquanto me preparava o almoço, numa mágoa sem fim... ela gosta muito de ti, sabes ? ela e todos nós. é certo que estávamos todos à espera que fosse breve, mas isso não quer dizer que estivéssemos preparados para que fosse hoje, logo hoje em que o avô ia ver-te ! a verdade é que nunca estamos preparados para que seja hoje. achamos sempre que será breve, mas não agora.. achamos que desaparecerá, mas nunca que teremos de viver sem aquela presença e é isso que estou a esforçar-me por pensar.. não vais deixar de estar comigo, pois não ? agora és a estrela mais brilhante do meu céu. e eu sei.. eu sei que é uma lenga lenga bastante utilizada, mas é a verdade ! se dizem que foste para o céu, então tens de ser a minha estrela, a que olha por mim e me vai proteger sempre ! porque eu confio em ti. até sempre, avó velha
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