Acordei com a persistência da chuva em fazer barulho e procurei-te por entres os lençóis. Ainda não te tinha visto, mas sentia-te ali... O teu calor não me enganava e o teu mau dormir também não. Sabia que algures naquela cama hostil estaria o Amor da minha vida. Não foi difícil encontrar-te e quando te vi, estavas a sorrir para mim. Estavas com aquela cara, aquela de quem esteve horas a contemplar-me num silêncio profundo, à espera que por qualquer telepatia ou até mesmo milagre, eu acordasse. E por fim, acordei. Sabia que nada no Mundo iria incomodar-nos. Nem a chuva... Essa que caía incessantemente. Ignorávamo-la. Queria sentir-te mais perto, queria abraçar-te, mas não conseguia... De repente reparei que nenhum dos dois tinha ousado falar e quis ser a primeira a fazê-lo. Tentei, mas sem sucesso. Continuavas como que nada incomodado a sorrir-me e eu numa tremenda revolta a tentar mexer-me, desamarrar-me daquela paralisia... Até que percebi. Não passávamos de um sonho. Aquele cenário de manhã gélida e corações ao alto. Quentinhos... Era só um Sonho. Acordei, triste. Corri para a cozinha, mas estava sozinha em casa. De repente lembrei-me que um dia o Sonho tornaria-se real. Sorri e voltei para a cama. Estava frio e não queria sentir-me sozinha...

Sem comentários:
Enviar um comentário