Há exatamente dois meses, por esta hora, decidi arriscar. Arriscar a minha sorte e o teu azar. Ficar contigo seria uma sorte para mim, mas para ti também o seria ? Queria saber se era apenas uma forma de esqueceres o teu passado ou se o desejo que eu me convertesse no teu futuro era do tamanho que descrevias. Beijei-te e sorri. Sabia que o desejavas há semanas, mas que esperavas sempre por mim. Sei que me deste tempo e sorrio de cada vez que me lembro de todas as barbaridades que fizeste para me veres sorrir. Ainda hoje fazem efeito. Lembro-me bem de todos os dias em que me viste chorar e correste a abraçar-me. Quando me vias mais melancólica, de coração ao alto, vinhas ter comigo, largavas tudo o que te prendia ao Mundo e agarravas-te a mim como se a nossa vida desse ato dependesse. Eu gostava, claro que sim, mas o meu coração estava longe e o meu engenho preso a um outro alguém. Gosto de contra e recontar a nossa história. Gosto que todos entendam o princípe que és, a pessoa em que te tornaste. O espaço que me conferiste para que da tua vontade pudesse fazer o meu desejo. E hoje, aqui estamos. Sessenta e um dias depois, aqui estamos. Longe fisicamente, é certo. Mas com o coração trocado. Eu tenho o teu, tu tens o meu e cuidamo-nos mutuamente. Fazemo-nos felizes. E sei que dois meses não são nada para ti, que não são nada para a maior parte das pessoas, mas eu gosto de te ir vivendo, de nos ir saboreando e só assim é possível. Por isso, hoje, fazemos dois meses. Não já, nem ainda. Fazemos e vamos fazendo. Parabéns, meu amor. Parabéns a nós. E eu gosto tanto de nós, oh tanto...

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