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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Diário da tua ausência II

"Por favor não digas que me esqueci de ti porque não é verdade. Amo-te muito, miúda. Não me deixes (':"
É, está a ser mais difícil do que pensávamos. Ou pelo menos, do que eu esperei. Não se trata só da asuência e solidão que me habitam, mas também a ausência de mim que em ti noto. É sentir-te vazio e saber que se te perguntar do que falámos ontem, simplesmente, não saberás responder... É saber que tens mil distrações e que te deslumbras por entre elas enquanto me deixas completamente aquém. E não, não é egoísmo... Deixou de ser, pois foi apenas no primeiro dia. Só queria que por dez minutos te dedicasses a mim, não é pedir demais e não queiras convencer-me de que o teu dia não tem dez minutos de repouso, não tentes sequer... E eu sei, sei que discutir não me leva a lado nenhum, que provavelmente só me fará mal, mas é a forma que tenho de me proteger e de mostrar que sou forte, que ainda tenho condições para ser eu. O que não tem resultado durante as horas que espero por ti. Por um sinal teu... A distância tortura-me, mas é esse vazio que me mata. São as tuas palavras ocas, os floreados em vão, os elogios forçados e desprogramados que me fazem sentir a mais nestes dez dias da tua vida. Do teu Verão. Sei que se fosse eu, já teria a cabeça a prémio e a guilhotina pronta a cair, mas és tu e a única coisa em que posso acreditar é que daqui a menos de uma semana tudo voltará ao normal. É onde me posso agarrar, não é? A isso e talvez à ideia de que me amas, de vez em quando, quando ainda te lembras. É que eu não estou a ser egoísta, eu só estou a zelar por nós. Só estou a querer que percebas o mal que nos está isto a fazer, ou pelo menos a mim... E aí já é egoísmo, não é? Então que seja. Eu sou egoísta...

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