A tua pessoa... Tem piada dizeres que ainda sou a tua pessoa quando viveste tão bem sem mim. Ainda assim, não te recrimino, sabes? Todas as pessoas me deixam e mostram viver bastante bem sem mim. Neste momento, tenho vontade de te recordar tal e qual viveste em mim. Feliz. Linda. Tenho vontade de recordar todos os nossos dias. Tenho vontade... De ti. No dia em que me mandaste o e-mail a querer voltar, estava sozinha. Completa e totalmente sozinha. Não tinha ninguém com quem falar e partilhar aquele momento, ali éramos só eu e tu, como em tempos havia sido. As lágrimas vieram-me aos olhos, o sorriso estampou-se nos meus lábios, mas a verdade é que estava indecisa. Era bom? Era mau? Era o princípio ou o fim? Naquele momento tudo dependia de mim e eu não quis escolher. Não respondi. Não tinha capacidade de tomar uma decisão assim, sozinha. Não sabia o que eu própria queria. Foi um disparate porque no fundo, aquele simples e-mail era a concretização da minha vontade de há tempos. Atirei-me de cabeça, perdoei-te na hora e foi como se nunca nada tivesse havido, como se nunca nada tivesse acontecido entre Nós. Nada de mal. A minha pessoa estava ali, eu partilhei logo tudo com ela e foi como se nunca me tivesses deixado. Até aos dias em que as conversas se tornaram vazias e eu perdi o encanto. Caí em mim e percebi que algo não estava a correr sobre rodas como eu pensei que seria. Eras a minha melhor amiga, mas algo não batia certo. Não agora. Seguiu-se um declínio, mas sempre com a certeza de que nunca te deixaria desamparada. Nunca.
Em relação a Andorra, na viagem para cá fiz-te prometer de que nunca ias gostar de ninguém mais alto do que eu. Não da forma como gostavas de mim. Senti ciúmes, sim. A Liliana passava as noites no teu quarto e tu corrias com ela, divertias-te com ela e eu sabia que seria sempre muito mais do que eu poderia ser naquele momento porque eu, tal como tu, entrego-me totalmente às pessoas. Isto ficou tudo provado naquela noite em que permanecemos ao frio num vão de escadas a que dificilmente voltaremos e eu percebi. Eu, o Paulo, tu e o César. Acho que todos percebemos o porquê daquele desconforto e o porquê daquela permanência. A nossa confiança não estava num nível suficiente para isso. Talvez a minha estivesse e até a tua, mas não a nossa. Sempre te percebi, afinal, era difícil aceitar. Nunca me quis intrometer por ter falado em exagero, por ter falado demais. Nunca quis que pensasses que eu estava presa ao passado porque podes ter a certeza, nunca tive tal tentação. Não contigo lá. Acho que no fundo, foi exatamente esta situação que nos afastou. Não foi só o facto de entrarmos em relações, mas sim as relações em si. As pessoas com quem ficámos. Somos felizes, sim, mas não era compatível... E talvez nunca seja.

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