TUMBLR

quarta-feira, 25 de março de 2015

A minha pessoa.

Chegou o dia. Chegou a hora, a altura, a ocasião em que tenho de ser eu a escrever, em que tenho de ser eu a explicar. Estou sozinha desde que me deixaste. Não tenho tido uma vida solitária, é verdade, mas também nunca pareceu completa, cheia... Sabes, ficou tudo complicado a partir de certa altura, chegava à escola e todos falavam contigo, já todos sabiam mais do que eu... A partir de Andorra percebi que os nossos lugares já não eram uma ao lado da outra porque aquela viagem podia ter sido a Nossa viagem se, se tivesse proporcionado noutra altura da nossa vida. Naquele ano foi uma viagem em que já vivíamos cada uma para seu lado, em que começou o fim. Estavas demasiado fechada e toda a gente comentava isso. No fundo, sempre havias sido assim, mas não tanto, não comigo... A rotina de falarmos a toda a hora quebrou-se tal como todos os laços, como consequência, diria eu... Apesar de ter sido algo progressivo, não estava à espera que a quebra fosse assim e muito menos que o regresso acontecesse. Mas não, o regresso não é já. Não vou voltar a atropelar o que eu senti. Eu chorei. Eu discuti com pessoas que só queriam o meu bem e discuti pelo simples facto de não serem tu. Eu vi a Christina e a Grey a afastarem-se e percebi que nenhuma metáfora que houvéssemos usado era por acaso. Elas afastaram-se, separaram-se e nós também. O loft, uma coisa tão simples como uma casa, acabou como qualquer loft em NY, daqueles de madeira e mobília por todo o lado... Aqueles que parecem armazéns, mas que eu adorava ter um. Ficou tudo vazio, até o meu coração. Até o teu lugar, esse coitado permanece imaculadamente sozinho. Não sei se é ele, se sou eu, ou se somos os dois... Nenhum de nós aceita mais confiança, mais ilusão, mais Amor. Desculpa, mas subimos tanto, tanto... A queda foi gigante e sabes o que mais me revolta? Ter sido eu a única a cair. Não... O que mais me revolta é ter caído sozinha. O que mais revolta é não teres pensado em tudo o que eu já tinha feito por ti antes, antes dos outros chegarem. Revolta-me não te teres lembrado de que eu te venerava ou então que tu própria me vias de uma forma diferente. Dá-me nojo. Não quero ser má, nem agressiva ou violenta... Quero ser verdadeira de uma vez para sempre. Eu sofri, sim. E é por esse sofrimento que agora não sei como te voltar a receber... Queria receber bem, Queria ser forte e nunca mais me lembrar de nada. Nem do bem, nem do mal. Mas tu sabes como sou, lembro-me de tudo até ao mais ínfimo pormenor, lembro-me do teu cheiro e da forma como olhavas para as pessoas, esse olhar penetrante.... Lembro-me de todas as palavras... E quem me dera conseguir esquecer... Quem me dera não me lembrar.

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