As pessoas tendem a não quererem dizer o que sentem. É uma obsessão. Por vergonha. Por medo. Por falta de coragem... Sempre quis ser ao contrário disso. Sempre quis programar tudo. Todos os momentos. Sempre quis surpreender as pessoas de quem gosto, incluindo tu. Nunca decidi esconder nada das pessoas que gostam de mim. Nunca decidi esconder nada das pessoas de quem gosto. E há uma grande diferença entre pessoas que gostam de ti e pessoas de quem tu realmente gostas, sabes? Sei que muitas pessoas gostavam de ter alguém como eu ao lado, sei porque eu própria sempre desejei ter alguém ao meu lado assim. Alguém que me pegasse por trás quando espero por um transporte. Alguém que ouvisse o que eu quero e no dia a seguir me aparecesse com isso mesmo, pronto para mim. Alguém que me fizesse um vídeo daqueles. Alguém que me desse um chocolate só para mostrar que sabe qual é o meu preferido. E de certa forma consegui. Mas nunca é suficiente. Tu nunca foste essa pessoa dada e talvez por isso nos tenhamos dado tão bem. Sempre fui a extrovertida, a espalha brasas, a sensível... A transparente. Se tinha de chorar num vão de escadas chorava, se tinha de rir no meio de uma aula na fila de frente, eu ria. E tu podias não ser assim, tão eu, mas eras a minha metade. A que corria comigo para a casa de banho para eu não ficar a chorar nesse mesmo vão de escadas ou a que me mandava parar de rir, na aula. Não era o momento certo... Eras o meu discernimento, como eu sempre admiti. Ao longo deste tempo tive de adquirir o meu próprio discernimento. Tive de aprender mais contida, mais fechada em mim mesma. Tive de aprender a deixar um caderno feio porque já não tenho o Adérito para para de ditar a matéria só porque eu me enganei e preciso de tempo para secar o corretor. Já não tenho a Maria dos Anjos para me encher a cabeça de macaquinhos e fazer-me deixar de saber o que eu própria quero. A propósito, agora já diz que eu e o Paulo estamos destinados a ficar juntos, sabes? Agora, passados 3 anos, é que resolveu cair nela. Mas prosseguindo. Depois deste tempo todo eu tive de crescer e olhando agora para trás, percebo que me fizeste falta. Muito mais do que eu me tinha apercebido. Eu queixava-me e procurava-te, mas talvez fosse mais por uma questão de orgulho do que necessidade e de repente, tenho em frente a mim uma mulher que tal como eu, foi obrigada a crescer. Talvez sem razão ou com todas as razões do Mundo, mas tivemos de o fazer. Da mesma forma que saímos do colégio. Da mesma forma que vivemos cada um para seu lado... Nós não queríamos assim tanto, mas teve de ser.

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