Assim que cheguei a casa corri a ler o histórica das nossas conversas. Sim, por alguma razão que eu própria desconheço, ainda o guardo. Mesmo depois de ter apagado todos os outros, mesmo depois do meu computador ter dado o berro e precisar de ser formatado... Ainda guardo tudo o que me disseste ao longo de todo o tempo em que nos permitimos viver juntas. Quero que saibas também que guardo os e-mails que me mandaste antes de desapareces... Sim, esses mesmo. Guardo o coração que me deste num dia dos namorados, quando ainda julgávamos ser tudo o que tínhamos. Guardo o cachecol que me ofereceste e tudo o que a minha pequena memória permite. Li os meus conselhos, li os teus julgamentos, reli todas citações e soube no momento que nunca mais teria alguém assim, não se tu não voltasses. Senti-me feliz por não cair na tentação que o Francisco caiu e não meter qualquer entrave à vossa decisão, afinal de contas, tudo deixou de ter a ver comigo. Agora já me lembro... Foi o Paulo que me contou e eu no momento fiquei de alguma forma orgulhosa. Porque eu fui a primeira pessoa a reparar na vossa aproximação. Quando ainda ninguém falava disso, eu sabia que tu olhavas de uma forma especial para ele. Mais que não fosse, por ser o melhor de ti. Sempre tive medo de um dia ter de te deixar e não saber se terias alguém do teu lado tão competente como eu e queres saber? Ainda hoje tenho. Porque uma relação entre duas raparigas é diferente, porque quando tu dizes que não, ele entende não, mesmo que eu saiba perfeitamente que é um sim que tu desejas dizer. Porque tu dizes-me quais são as raparigas que te incomodam e por muito que mandes diretas sobre alguma, ele simplesmente não entende o ódio profundo que lhe guardas. Porque os homens não entendem esta estranha relação que as mulheres teimam em manter, este secretismo, esta mútua compreensão num mar de dúvidas que eles vêem. Mas agora... Agora que voltaste, já não penso assim tanto se estarás bem, se ele te fará bem porque eu sei que vou sentir no dia em que não estiveres bem. Agora não já não vivo assim tão apoquentada com a ideia de que el ete sequestrou ou que tiveram um filho e não contaram a ninguém... Prometo. Agora já te sinto mais aqui. Muito mais do que senti nos tempos que ainda andávamos no colégio... No fim.

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