Não sabia. Olhando para trás sinto que nunca soube muito de ti. Nada para além do que conseguia ver. Sabia que eras insegura. Sabia que procuravas os defeitos nos outros para que no fundo não encontrassem os teus. Também já fui assim. Quando lavava o cabelo todos os dias de manhã só para não ir despenteada a sítio nenhum. Quando usava todos os acessórios e mais alguns só para não ser mais uma no meio de tantas outras. Todas iguais. Também já fui assim, mas agora não. Se tiver de sair com o cabelo seco, saio. Se estiver com muito volume, vou na mesma. Se for para ir com roupa descontraída não me vou importar. O meu cabelo... Cortei-o curto outra vez, sabes? De vez em quando preciso e não me arrependo. Já tenho confiança suficiente para saber que quem gosta de mim vai gostar de qualquer forma e que se não for a minha melhor imagem, ele cresce com toda a certeza. Mas continuando o assunto de não saber. Não sabia que havia um vídeo para mim. Sempre desejei que me fizessem um vídeo, sabes? Nunca ninguém fez. Até à semana passada em que o Paulo me fez um. Está lindo, se quiseres saber, Sempre quis sentir-me assim. Importante. O centro das atenções, mais que não seja para uma só pessoa. Nunca fui. Sim, nunca fui uma estampa. Era gira, mas só isso... Nunca ninguém tinha gostado de mim da forma que tu vieste a gostar e talvez por isso, acreditava que seria assim sempre. Que a partir do momento em que se criam laços fortes, eles não partem, não quebram, não cedem... Com o tempo percebi que cedem. Amizades acabam. Casamentos acabam. Religiões acabam. Famílias acabam. Porra, tudo acaba. Foi esta visão realista que me fez perceber o porquê de me teres deixado. E sim, cheguei a perceber. Conhecia-te como a palma da minha mão, éramos as faces da mesma moeda e sabia que sempre que encontravas um alguém importante na tua vida, entregavas-te a mil por cento. Cheguei a explicar a algumas pessoas que não tinha assim tanto mal. Que percebia que tu tinhas de abdicar de algumas coisas para procurar o teu lugar. O lugar onde virias a pertencer para sempre e onde, no teu íntimo, não caberia mais ninguém. A partir dessa aceitação, foi tudo muito mais fácil... Comecei a viver bem contigo e com tudo o que guardava de ti, mas mais do que isso, comecei a viver muito melhor comigo e a ter a certeza de que não tinha feito nada de mal... Não ao ponto de te fazer querer desaparecer. Afinal, tu sempre foste assim... Tudo ou nada. Há dias em que me apetece tanto falar-te... Apetece-me escrever. Quero dizer-te tudo o que senti ao longo do tempo que vivi contigo porque eu vivi contigo e em ti durante muito tempo... Não deixo muita coisa por dizer, é certo. Falo que me desdenho, mas sinto sempre que fica alguma coisa por te dar... Por dar a toda a gente. Só nesse campo sou insegura. Não sei se dou o valor medido. Não sei se faço alguém feliz. Não sei... Acho que a minha maior insegurança são mesmo os outros... Isso e se puxei bem o travão de mão. Também fico sempre na dúvida...

1 comentário:
Eu cá acho que ao pé de ti qualquer pessoa é feliz, pelos menos eu sei que fui e quero ser ♥
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