TUMBLR

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pela primeira vez hesitei antes de ir ler o que escreveste. Normalmente digito o sítio 3/4 vezes ao dia, à hora, conforme... Só para ver se já lá foste, se já te lembraste de mim. Mas desta vez foi diferente. Talvez tivesse a noção de que falarias de algo do género, talvez não soubesse bem o que sentir quando me deparasse com tal ideia. Ainda agora não sei, mas sei que faço questão de não faltar na tua vida... Sei que quero entregar-te um presente e dar-te os meus parabéns. Só meus. Não sei como o farei, não sei como acontecerá, mas sei que via acontecer. Descansa que não vou faltar. Aliás, nunca quis faltar. A princípio achei que iria ser no teu dia de anos que ia conseguir tocar-te no coração, mas quando chegou a altura, nem tentei. Nem saí de mim mesma. A verdade é que depois de tantas tentativas falhadas, vivia com a certeza de que nãos seria naquele dia,em que certamente estarias rodeada de pessoas que de ti gostam, que irias cair na realidade de que eu te fazia falta. Tendo também a certeza de que faria. Outra dúvida que me assaltava era se naquele tempo todos terias encontrado outra amiga, outro alguém que te tirasse a saudade, alguém em quem te reconfortasses de forma a que nem a minha falta sentisses. E se por um lado, por breves instantes, achava isso possível; por outro tinha a certeza de que não eras pessoa para te dar a essa confiança. Nunca foste. Mesmo comigo, connosco, foi uma aproximação gradual. Não sei como aconteceu, mas sei que foi acontecendo e quando dei por mim, estava emaranhada em ti. Sempre admirei a tua capacidade de distanciamento, coisa que eu não tenho. A minha mãe está sempre a dizer-me que não posso acreditar nas histórias de todos os estranhos que me abordam na rua, que não posso ajudar todos os velhotes que encontro meio perdidos por entre as cores do metro... Está sempre a dizê-lo, mas a verdade é que é mais forte do que eu e que, cá entre nós, até acho que ela própria já desistiu. No outro dia estava no Cais do Sodré à espera do 706 (agora já sabes em que autocarros ando) e chegou um casal, na casa dos 70 e tal anos, ao qual eu dei o lugar. A senhora, muito bem arranjada, quando abriu a boca, mostrou logo não estar no seu perfeito juízo, mas não hesitou em dizer A menina é muito bonita, sabe? E é tão parecida com a minha filha... O marido consentiu e disse que havia reparado nisso assim que ali chegara. Não sei se seria verdade, não sei sequer se existiria sequer uma filha, mas sei que estivemos à conversa e que não me fizeram mal nenhum. Noutra vez, encontrei outro casal no meio da estação do Saldanha completamente alienados. Não faziam ideia para que lado se haviam de virar, só sabiam que queriam ir para São Sebastião... A senhora, não hesitou em pedir-me ajuda, enquanto o homem, como bom homem que era, disse logo que não precisava de nada, afinal ele sabia que era por ali... E realmente tinha razão. Era mesmo. Mas mais uma vez não fiquei prejudicada em ajudá-los. E é disto que a minha mãe tem medo, e é disto que eu própria tenho medo. Se fosse como tu, se conseguisse manter a distância e seguir o meu caminho com a pressa com que costumo ir, eu seguiria e não ficaria preocupada, não ficaria a pensar se aquele casal havia conseguido sair dali e chegado ao destino. Se conseguisse manter a distância, talvez não me sentisse tão deslocada. Às vezes acho que me sinto deslocada pela vontade louca que sentia de me integrar. Não sabia onde queria pertencer, só sabia que queria pertencer a algum sítio. Isto há mais de um ano atrás porque depois tudo mudou. No segundo ano, virei tudo ao contrário. Decidi que estava ali para tirar um curso e que independentemente de andar sempre sozinha ou acompanhada, iria fazê-lo. Talvez tenha pensado nisto na esperança de que alguém se importasse com a minha solidão, mas a verdade é que acabei mesmo sozinha em todos os corredores enquanto esperava que chegasse a hora da minha aula. Talvez a certa altura tenha desejado mais do que tudo ter-te ali comigo, nem que fosse por telefone. Nem que fosse por telepatia. É, acho que cheguei mesmo a desejar isso, mas sabia que algures neste país ou quem sabe noutro, estarias tu feliz e muito mais acompanhada do que eu. Tu, que fazias questão de manter a distância, estarias mais acompanhado que eu, que sempre ansiei por carinho e proteção. Ele há com cada uma...

p.s. Estiquei-me um bocadinho no texto. Aproveita que eu sei que gostas!

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