Compreendo a questão da tua mãe. Chegar aos 3 anos de namoro na nossa idade tem tudo para dar errado. Se por um lado já estamos há imenso tempo com a pessoa que Amamos e é uma vitória ter chegado tão longe, por outro, ainda falta outro tanto para estarmos. Estar na mesma casa. Estarmos na mesma cama. Estarmos na mesma vida. Partilharmos uma vida a dois que apesar de par, terá de ser ímpar. Não é fácil aguentar algo que não tem mais por onde dar. Por esta altura, já descobrimos quase tudo o que havia para descobrir, já entregámos tudo o que trazíamos de anterior, já esquecemos os erros que havia a esquecer e o que é que sobra? Nada. Nada a não ser a vontade de dar o próximo passo que muitas vezes, nem chegamos a saber qual é. Não consigo chegar a um consenso dentro de mim própria. Não consigo decidir se será um casamento ou a compra/aluguer da casa. Se por um lado gostava de me juntar antes de casar só para ver como será, numa de teste, por outro, receio que o facto de estarmos já juntos sirva de pretexto a que esse dia nunca aconteça. E eu sou demasiado decidida para me contrariarem, sei demasiado bem o que quero para tentarem que esqueça as coisas. Por isso, sim, a partir dos 3 anos, a monotonia chega e deixas de acreditar que estes possam ser os melhores anos da tua vida, se sabes que ainda está para vir muito mais. Pior do que isso, é desejar esse mais com todas as tuas forças e não sentires que esteja mais próximo, pelo contrário, parece cada vez mais longínquo. É como esperares pela reforma e veres que a cada ano que passa, ela afasta-se. Pronto, talvez não seja tão dramático como sentires que vais trabalhar até caíres para o lado, mas tem mais semelhanças do que pode parecer a princípio. É ainda engraçado sentires que te trago a um equilíbrio na tua vida quando nunca consigo chegar eu a ele. É um facto que nunca fui muito equilibrada, mas desde que ele me deu espaço na sua vida, que me tornei ainda mais de extremos. É o tudo ou nada, nunca mais quis o assim-assim. Quando num dia de Março, talvez, cheguei ao meu e-mail e vi que alguém havia feito um blog para mim, corri a procurá-lo. Era um blog privado e honestamente, não tinha recebido convite nenhum. Por circunstâncias da vida, para ter um blog tive de fazer uma conta no g-mail e pensei que o convite estivesse nessa conta. Não conhecia a passa, nem tão pouco o seu endereço e quando finalmente cheguei a ela, não estava lá nada. Corri todos os meus e-mails na busca de encontrar o maldito convite, mas anda... Até que cheguei ao SPAM. Sabia que esta pasta não tinha utilidade nenhuma e aqui está a prova. O convite estava mesmo lá, mas quando o descobri, já o blog era público. Sempre em cima do acontecimento, Daniela. Li e reli os textos que lá existiam e não entendi como é que a pessoa que eu tão bem conhecia, era ainda capaz de me surpreender àquele ponto. Não entendi como havias sido capaz de entregar tanto de ti, mas continuei. Tudo isto aconteceu porque mais uma vez eu não aceitei o assim-assim e saltei fora de um barco que não era assim tão mau. Disse-te que não aguentava mais as conversas de circunstância e prometi-te que um dia voltaria. E voltei, graças aos cantos do teu vocabulário que rapidamente me encantaram. Mais tarde, vi que também tinhas deixado um comentário no meu blog a convidar-me para ver a tua nova casa e percebi que se não tinha visto esse pedido, era porque havia deixado o meu canto morrer. Este canto que viu todos os meus amores e desamores, que tanta confusão arranjou e que há 6 anos que comigo vive, estava morto em mim. Foi preciso sentir a tua vontade, a tua certeza, para também eu sentir o desejo de aqui voltar e continuar o que nunca devia ter acabado, mesmo com a certeza de que ninguém iria ler. Porque como eu disse no dia em que te vi, tu voltarias sempre aqui e eu devia ter mais para contar... Muito mais. Obrigada por voltares sempre, miúda.

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