Creio que não tenhas perdido nada o que realmente te caracterizava, pelo menos, sempre que falas comigo, sinto a pessoa a que há 3 anos ofereci um queque pelo aniversário. A pessoa para quem corri com um decote enorme e me disse que assim não conseguia concentrar-se. Eu lembro-me, mesmo que nunca o tenha dito. Lembro-me de tudo o que possas imaginar. Eu sei que abominas a ideia dos bolos para cantar os parabéns, sei que abominas a ideia das pessoas te comentarem, mas eu, um pouco ao contrário do que tu eras, queria saber do que os outros pensavam. Não em relação à roupa, nem nada disso... Só queria que as pessoas gostassem de mim, necessidade que tu nunca demonstraste ter. É verdade, muitas das vezes eu apagava os meus ideais para que alguém gostasse de mim. Muitas, se não todas. E isso só acabou quando senti uma força como tu a meu lado. A partir do momento em que partiste, eu voltei a ser só a menina que queria à força alguém para gostar dela. Estive a pensar em ti e percebi que talvez tu também fosses só uma menina a precisar de colo quando eu te deixei. Talvez tu te tenhas sentido revoltada e quando te sentiste segura, acabaste por me largar da mão. Lembro-me de chegar um dia ao colégio num dia em que íamos fazer exame e estares lá tu, a Tatiana e o César, julgo eu. Não estavas com o teu telemóvel cor de laranja. Aliás, estavas com um antigo, aquele que atendia chamadas sozinho e perguntei-te porquê. Respondeste-me fria e rapidamente que estavas com aquele porque funcionava. Calei-me. Calei-me e desejei que chegasse mais alguém porque naquele sítio eu sentia-me perfeitamente excluída. Foi nestes dias que percebi que a nossa relação estava de rastos, afinal tu passaste a gostar mais da Tatiana (DA TATIANA?!?!) do que de mim. E se por um lado sabia que não a suportavas, por outro percebi que ainda menos me estavas a suportar a mim, não que eu estivesse mais irritante ou menos madura, simplesmente não me estavas a suportar. Resolvi a afastar-me porque já nada me prendia a ti e se calhar foi aí que errei. Aconteceu no verão o que aconteceu em Andorra e o que passou a acontecer sempre, mesmo quando já não estavas comigo. Pensava noutra pessoa ao teu lado, imaginava-te a partilhares segredos com outros alguéns e desistia da ideia de me reaproximar. Via-te sorrir ao longe e isso confortava o meu pequeno coração. Se tu estivesses bem, isso fazia-me bem e foi assim que até a esperança que alimentava em ti foi morrendo... Não te sei explicar bem a revolta que senti, nem o que imaginei ao longo dos dias em que me apercebi que era verdade, tu tinhas mesmo partido. Não sei. Lembro-me de ter sonhado contigo, de te ter falado, explicado o que havia acontecido na minha vida e tudo se ter apagado nesse momento. Os e-mails teimavam em não chegar, as chamadas vinham todas para trás e as mensagens, apesar de chegarem ao destino nunca tinham direito a resposta. Pensei ainda em entrar pela via do irritar-te, irritar-te ao ponto de teres de me responder, mas conhecia a tua capacidade de auto-controlo e mantive-me no meu canto à espera de que um milagre acontecesse. E ele tardou, mas não falhou. E se calhar eu sempre soube, se calhar eu sempre esperei por isto mesmo, se calhar era assim que tinha de ser. Eu só quero que tu agora sejas feliz e que te reencontres seja onde for. Eu vou sempre lá estar e mesmo que caias, eu levanto-te. Nunca mais vais estar sozinha, prometo

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