TUMBLR

sábado, 2 de maio de 2015

É engraçado repetires o momento em que sentes que me viste por dentro e eu não me lembrar de forma nenhuma disso. não me lembro de me teres ajudado a levantar em educação física, não antes de te gostar. Já te conhecia antes de tudo e como sempre, tinha uma opinião muito bem formulada sobre ti. Sabia que eras uma porca, uma sonsa, com a mania e que andavas sempre com rapazes diferentes. Era assim que eu te via quando cheguei ao colégio. Azar dos azares, fui dar com um rapaz que nunca parava de falar de ti. Juro que a fixação que ele tinha por ti me irritava, mesmo estando tu com outra pessoa, ele fazia questão de falar de ti e até dessa mesma suposta relação com outra pessoa. Acho que ele falava muito mais de ti do que a própria pessoa. E eu acabei por perceber que até preferia essa mesma pessoa, àquele meia leca. A verdade é que também há coisas que só tu sabes e tu sabes as paixões que passaram por mim, sem que eu nunca passasse por elas. Houve pessoas que me marcaram no íntimo da minha alma e que hoje, se as vir, não deixo de tremer por dentro, não deixo das querer abraçar, mas a única coisa que sou capaz é de esboçar um sorriso e seguir o meu caminho. Essas coisas, esses tremores, só tu conheces. Ainda assim, não me lembro bem do porquê de ter gostado de ti. Sei que andavas com outras pessoas e que de repente nos unimos num só grupo e sei que numa semana, tornamo-nos como que numa família. As semanas em que ensaiávamos as coreografias eram sempre.... Intensas. Digamos assim. Passávamos os dias inteiros juntos, vivíamos, ríamos e tocávamo-nos. Nunca fomos muito de nos tocar, por acaso, mas eu também não gosto assim tanto. Continuando, essas semanas faziam com que os sentimentos ganhassem outra dimensão e possibilitavam que num dia, acontecem cem mil coisas. Sei porque vivi. Sei que foi numa dessas semanas que a minha relação contigo se intensificou. Tu sabias o que eu sentia e sabias do que eu duvidava, eu não sabia, mas tinha-te ali. Nunca percebi bem se desejaste dar-te comigo ou se aconteceu. Nunca percebi bem se já levavas uma opinião (mal) formada de mim ou se te limitaste a construí-la. Hoje percebo que há várias coisas que nunca percebi muito bem. Também nunca percebi muito bem o que poderias sentir de todas as vezes que recebias uma mensagem minha e decidias não responder. Nunca percebi se as apagavas no momento, não fosse o teu subconsciente ter vontade de responder mais tarde, ou se as guardavas para poderes ler e reler até que o teu pequeno coraçãozinho não aguentasse mais tal tortura. Nunca percebi sequer se chegavas a ler o que eu escrevia ou se simplesmente apagavas com medo de vacilar na decisão que consciente ou inconscientemente havias tomado. Eu nunca entendi que efeito estranho teria a minha comunicação neste tempo que não te fazia demover com nada. Não havia vídeos, fotos ou frases que resistissem, tu estavas implacável. Se todas as vezes que te telefonei e não foste tu a falar, jurei a mim mesma que havia sido a última vez. E era. Até à próxima. Sempre tive vontade de agarrar em ti e perguntar-te PORRA, PORQUÊ?! Mas como viste, não o fiz. Houve um dia em que te vi a atravessares a ponte a pé. Eu estava na camioneta a caminho da aula de condução e vi-te. Caminha em passo acelerado e eu segui o meu caminho. À vinda para cá apanhei a camioneta com destino a Via Rara e não à Póvoa como era habitual. Saí na paragem à porta de tua casa e parei. Parei tudo o que poderia estar a fazer e olhei para o teu prédio na esperança de adivinhar qual seria o teu andar, qual daquelas janelas poderia corresponder ao teu quarto. É óbvio que não conclui nada a não ser de que estaria mais perto de ti do que nunca. Sabia que estavas lá dentro, afinal, tinha-te visto umas horas antes a caminhares certamente para ali, mas não me aventurei. Não sabia o que podia esperar, nem sabia onde ir ter. Ainda assim, cheguei a casa e enviei-te um e-mail. À partida, sabia que não obteria resposta, mas já não havia nada a perder. Queria tratar-te mal, queria espezinhar-te e dizeres que não prestavas nem nunca tinhas prestado, mas bolas, eu sabia que isso não era verdade e por isso, raramente te mostrava a revolta que sentia dentro de mim. Sabia que não era com palavras feitas e com o coração cheio de ódio que iria conseguir ter-te de volta. Por outro lado calculava que não te teria de forma nenhuma, mas não deixava de tentar. Até ao dia. Até ao dia em que cheguei a casa. Sábado à noite. O wi-fi conecta automaticamente e ouço a notificação de que recebi um e-mail. Som banal esse desde que a minha faculdade decide enviar-me 3/4 e-mails por dia. Não corri a ver. Quando calhou ir ao menú, abri. Vi o teu nome na caixa de entrada e por momentos duvidei se não estaria na página dos enviados, mas não. Era um e-mail sem assunto e eu nunca envio e-mails sem assunto. Soube de imediato que alguma coisa se tinha passado e não, não corri a responder-te. Li devagar, pausadamente, vezes sem conta. És e serás sempre a minha melhor amiga Como? Como é que eras capaz de o dizer? E porquê? Porquê agora? Não sabia se realmente queria voltar ou se estavas simplesmente a dar-me uma explicação, se estavas só a acalmar o meu fraco coração. E por causa desse medo, por não saber se aquilo era realmente um pedido de desculpas, esperei. Esperei e por momentos, desesperei. Afinal, eu sabia que queria muito responder-te... Não esperei mais e respondi. Não fui meiga. Nem quis ser. Afinal, eu não sabia se obteria uma resposta depois. Mas obtive e agora tenho a certeza de que obterei sempre e de que estarás cá sempre. E de que vou querer-te presente nas ocasiões mais especiais da minha vida e que vou querer ver-te e sentir-te. Agora eu sei, tu voltaste realmente.

Sem comentários: