É verdade que não mais me esqueço de que estarás sempre em algum sítio, sem que eu saiba onde, para mim. Confronto-me várias vezes com a questão de estar contigo e há uma parte de mim, que ainda não sei bem qual, que insiste não estar preparada para isso. Apesar de saber que precisa. É o eterno dilema entre o que precisamos e o que queremos. O que temos e o que desejamos. Durante meses desejei a tua presença na minha vida, mais do que isso, em mim... Sabia que te queria mais do que tudo, só não sabia que o tempo te levaria não só a ti, mas também a uma parte de mim. Não sabia que o tempo era poderoso ao ponto de não só te levar a ti, como a todos os sinais de ti que em mim viviam. Sei que te sinto, mas já não sei dizer em que parte de mim. Sei que te vivo, mesmo sem saber detalhes da tua vida. Aliás, a nossa relação sempre foi um bocadinho assim, verdade? Sempre falei e problematizei muito mais. Faz parte de mim. Todos os pormenores são um drama na minha cabeça. Todos os sinais se tornam obstáculos para mim. E não é que não tenha força para os ultrapassar... Eu é que sou muito de sofrer por antecipação. Sempre fui. Mas estava eu a dizer que sempre falei muito mais de mim do que tu. Sempre fui um livro aberto para quase toda a gente. Não é que me orgulhe desmesuradamente disso, é só que sou mesmo assim. Espalha brasas. Se estou feliz, é porque quero que todos saibam, se estou triste é por simplesmente não o saber esconder e tu melhor do que ninguém, sempre soubeste ver isso em mim e não preciso de enumerar situações que o provem. Talvez seja por isso que me lembro de todas as vezes em que correste para mim a querer contar-me algo sobre ti. Talvez seja por não terem sido assim tantas que recorde com carinho todas elas. Quando me deixaste acusaram-me de rastejar atrás de ti, não só naquele momento, mas desde sempre. Depois de uma rápida retrospetiva, achei que podia ter sido mesmo assim desde sempre, sem que eu tivesse dado por isso. Afinal, eu sabia o quanto tu gostavas de ser melhor, de ganhar... Mas seria eu ingénua ao ponto de realmente ter vivido assim durante tanto tempo e ainda ter gostado? Na altura acreditei que sim, mas hoje apenas acredito que realmente encaramos o Mundo de maneiras diferentes. Que apesar de em quase nada coincidirmos, nos completamos... Porque acontecimentos complementares, nada têm em comum.

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