TUMBLR

sábado, 30 de maio de 2015

Ontem quando me disseste que tinhas visto alguém, achei piada como o destino nos leva até às pessoas, como agora que decidiste aceitar o Mundo, ele resolveu aparecer para ti. Achei que irias dizer que estava horrorosa ou assim, mas nem pensei muito nisso, até porque de vez em quando também tenho o prazer da ver. Mas hoje, quando me disseste que ela resolveu falar contigo, encontrei um grande ponto de interrogação dentro de mim. Porquê? Porquê agora que havias voltado a mim, voltou a aparecer ela.? Eu não gosto dela. Não gosto mesmo nada. Não gosto da tentativa de se dar com todos e da mania que tem em tentar ser engraçada. Não gosto que ela seja gigante e que em vez de se sentir mal com isso, ainda tente gozar connosco por não sermos propriamente grandes. Eu já me dei super bem com ela, sabes? É. Houve uma altura, algures no décimo ano, que passava todo o meu tempo com ela, vivíamos as nossas tardes no volley e era a pessoa que acabava por saber tudo o que se passava na minha vida. Não sei em que altura comecei a confiar nela, mas sei quando isso acabou. Quando comecei a gostar de um rapaz e elas fizeram de tudo para me separar dele. Não é que fosse uma paixão assolapada daquelas que mudam a nossa vida ou que eu achasse que fosse para sempre, mas de qualquer das formas elas não sabiam e não tinham o direito de tentar sequer. A partir do décimo primeiro ano, nunca mais nada foi a mesma coisa. Entrou o Paulo no colégio, elas deixaram de querer saber do outro basicamente, mas começou tudo outra vez. Não que eu quisesse alguma coisa com o centro das atenções delas, mas sempre lhe achei uma certa piada. Tinha um sorriso contagiante e confesso que a ideia de me meter no meio deles me entusiasmava. Sabia que ele era demovível, que era fiel e que sabia bem o que queria, mas eu também não estava a tentar nada de especial, só queria ser amiga dele como elas tentavam ser. E consegui. E consegui muito mais e voltou tudo outra vez. Sabes que essa pessoa chegou ao pé do meu Homem e perguntou-lhe Porquê ela? que é o mesmo que perguntar porquê eu. Como se eu não tivesse nada a mais que elas, como se eu não fosse muito melhor que elas que sempre foram imitações umas das outras. A partir de certa altura começaram todas a vestir os mesmos trapitos das lojas de roupa que toda a gente veste, a acharem que assim iam ser mais cools e eu cada vez gostava menos delas, mesmo antes de entrarem os ciúmes e os pequenos ódios de estimação. Tentavam a todo o custo afastar-me dele só porque tinha a relação que elas desejavam. Sabes? Sempre achei que as relações delas eram muito à base do conforto. Namoravam porque a melhor amiga namorava e não queriam ficar sozinhas, namoravam porque era fixe meterem-se em relações no facebook, namoravam porque é super agradável receber presentes fofinhos de vez em quando. O que quero dizer é que nunca levei a sério nenhuma das relações que elas inventaram e provavelmente elas também nunca levaram a sério o que eu comecei. Lembro-me de no dia a seguir a abandoná-lo, ouvir a teu lado uma conversa da Marta em que se gabava de ter estado a falar com o meu homem até à meia noite e tal. Tu não percebeste o meu salto, mas ele disse-me que ia dormir muito mais cedo. A nossa conversa acabou muito mais cedo. Nesse dia ou no a seguir, não sei bem, cheguei ao colégio de casa,do almoço, e estava ela sentada numa mesa sozinha com ele a ouvirem música juntos. Cheguei e não hesitei em meter as minhas coisas naquela mesa, mesmo que todas as outras pessoas estivessem numa mais afastada. Depressa ela percebeu que estava a mais e disse que ia embora. Obrigada krida. Mas mais do que me irritar a lata da Marta, irritava-me a forma sorrateira como a Liliana se ia metendo e ia mandando farpas. A Marta era espalha brasas, não sabia esconder o que sentia, mas a Liliana não. A Liliana ia apunhalando as costas até deixares de andar, até te matar por dentro. E sempre me irritou a forma como ela tentava aproximar-se das pessoas que eu gostava e que gostavam de mim. Sempre me enervou a espécie de inveja que ela sentia e sei que já te falei disto, mas em Andorra parecia fazer questão de me mostrar que tinha contigo o que eu não podia ter porque eu não podia aproximar-me daquela forma de ti, porque eu não podia simplesmente chegar ao teu quarto e abancar porque as coisas já não eram assim. Não sei quando deixaram de ser comigo e passaram a ser com ela, mas sei que ela viveu contigo o que eu não vivi porque ela nunca teve de ficar à porta. Na viagem para cá, falei com o Paulo sobre isto, disse-lhe que não aguentava. Sabes que havia dois lugares guardados para ti ao lado dela? Eu lembro-me disso e mesmo tendo-te ali sentada ao pé de mim, não te senti comigo. Pedi-te que não gostasses de uma rapariga mais alta que eu e que não me trocasses na minha inocência, hoje acho que te quero pedir a mesma coisa. Não me deixes.

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