TUMBLR

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Se te disser que me ri à gargalhada enquanto lia o teu texto, acreditas? É bom que acredites porque é mesmo verdade. Estava sozinha em casa, ainda na cama porque só entrava às 14:30 e li o teu texto em voz alta. Sempre gostei de ler em voz alta, sabes? Anyway, li o texto e quando cheguei à parte em que contavas como um rapaz para lá de estranho tweetava no caderno num anfiteatro sem rede, não contive o riso. A verdade é que eu nem tenho nada de especial para contar sobre a faculdade. No dia da inscrição fui com a minha mãe. Estudámos os transportes que eu teria de apanhar para chegar à minha nova vida e fomos as duas. A minha mãe tornou-se na minha melhor amiga entretanto. Comecei a perceber que ela não queria mais do que o meu bem e que sempre que eu precisava, ela era e é a única sempre disponível. Mas continuando, estávamos a passar o Terreiro do Paço quando me lembrei que não tinha comigo o cartão de cidadão. Sempre a mesma. No dia anterior tinha tirado fotocópias dele e nunca mais me lembrei do tirar da impressora. Contratempo normal para alguém tão despistado como eu. Claro que a minha mãe disse que eu era sempre a mesma e me deu o raspanete que me era devido, mas eu só conseguia pensar se seria um contratempo tamanho, ao ponto de eu não me conseguir inscrever na faculdade que desejei, no curso que escolhi... Na minha primeira opção. Não foi. Como tinha a fotocópia, facilmente me inscrevi. Foi bom ter a minha mãe lá naquele dia. Sabia que não poderia estar sempre ao meu lado, mas se alguma coisa corresse mal, tinha ali a minha segurança. Ainda hoje lhe mando uma mensagem à chegada e à saída da faculdade, sabes? Não é por nada, é só que gosto. Mas continuando, meteram-nos dentro de uma sala, a que não mais voltei, e explicaram coisas que não interessavam a ninguém. Mandaram-nos imprimir uma espécie de guia para sabermos por onde andar e o que fazer em cada sítio, mas era tudo tão confuso que eu tremia ao andar sozinha por aqueles corredores. Sentei-me para aí na terceira fila, à ponta e esperei que os outros entrassem para os poder observar. Entrou uma rapariga alta, muito alta, com o cabelo pelo meio das costas. Preto e ondulado. Tinha umas calças com padrão zebra e uma camisa vermelha. Estava muito maquilhada, pelo menos, tinha muita base. Quando perguntaram quem era de Economia, ela prontamente meteu o braço no ar e eu pensei Pindérica... Mal sabia eu que era essa mesma rapariga que viria ter comigo no primeiro dia de aulas, que me diria que éramos da mesma turma e que viria a ter tanto em comum comigo. Chama-se Inês e é das pessoas mais genuínas que eu conheço. Nesse mesmo dia, ela tinha encontrado outra rapariga da nossa turma. Chamava-se Marta, era de Bragança e tinha mesmo aquele sotaque nortenho que eu honestamente, odeio. Tudo se estragou quando ela quis que nós saíssemos para ela ir fumar. Quando nos disse que antes dela se vir embora o namorado lhe tinha dado um presente e que esse presente eram 20 enroladas. Não me perguntes o que era. Só sei que era uma espécie de droga, que cheirava mal e que só me fazia querer afastar dela o mais rapidamente possível. Depois vim a saber que havia dias em que ela não tinha onde dormir e ficava no aeroporto por estar quente... Mas nunca tive pena dela, era demasiado bronca para se ter pena. Sabia que a Inês tinha muito mais a ver comigo e afastámo-nos, no fundo, sempre fomos só nós as duas. A Inês nunca teve a intimidade que tu tiveste, a Inês nunca foi para mim uma melhor amiga... Mas foi durante muito tempo o meu único apoio. Ela é de Fátima. Mas vive em Entrecampos durante a semana. Sei que não te interessa nada, mas quero que a conheças, mais que não seja, pela minha descrição. Faz tudo o que possas imaginar pelos outros, mas ainda não aprendeu que os outros nem sempre vão lá estar para ela. É assim. Tirando ela, mais ninguém me marcou de tal forma que deseje que chegue a ti. Tenho a minha madrinha, que se chama também Inês e que é a rapariga mais adorável à face da terra, mas já a conhecia antes de entrar na faculdade... Já a sabia de cor. Ah, e no primeiro ano cheguei a dar-me com um rapaz no primeiro semestre, chamava-se Tiago e era bastante inteligente, sabes... Contudo, estava a fazer o ano zero porque não tinha conseguido acabar Matemática A. Ele sim me contou das coisas mais caricatas que eu alguma vez ouvirei. No exame de Matemática dele, rasgaram-lhe uma folha de teste completa por engano. Foi assim, ele chamou o professor para rasgar uma folha em que ele se tinha enganado a preencher o cabeçalho e o professor foi lá um pouco depois. Quando chegou, pegou na primeira folha que encontrou e rasgou-a... Não foi desculpa para ele chumbar, mas digamos que lhe dificultou a vida. E é mesmo verdade, havia outro rapaz da escola dele que comprovou. Mas o que te queria mesmo contar sobre ele é que no fim do primeiro semestre desistiu da faculdade porque não havia passado a nenhuma cadeira. Voltei a ficar eu e a Inês... Mas não por muito tempo, no segundo semestre começámos a conviver com um outro rapaz, o Francisco. Era adorável. Tinha piada daqui até à lua. E tinha para aí 2 metros de altura por isso, era engraçado andar ao lado dele... Mas também se foi embora. Acho que não estava no curso certo e foi para o ISCTE, não sei muito bem para quê. Eu gostava dele, juro que sim, ao ponto de às vezes não me importar que ele fale comigo no facebook. Como vês, tenho tendência a afastar todas as pessoas de quem gosto. Como vês, não sou a melhor pessoa do Mundo a manter amizades, elas fogem-me. De qualquer das formas, gostavas que visses o Mundo em que vivo, não é o mais acolhedor aquando da minha permanência na faculdade, estou sozinha em muitos dos compassos entre as aulas, mas tenho vários conhecidos, digo boa tarde a algumas pessoas e tenho sempre a Inês, que apesar e agora viver numa turma que não a minha, tem aulas teóricas comigo e  não mais me deixou sozinha. Talvez tenha sido esta carência que me levou a sentir tanto a tua falta, pois se por outro lado tivesse sentido o conforto de um lar no sítio para onde fui, pudesse não me sentir sozinha, não desejar alguém que não mais me queria. Nunca duvidei que pensasses em mim, nunca deixei de ter a certeza de que imaginarias a minha vida, a vida que não conhecias por opção própria. Posso não entender o contexto da tua ação, posso não entender o contexto da tua tentativa de explicação, mas sei em que contexto vivi durante todo este ano e se por um lado, podes pensar que foi solitário, por outro, aprendi a conviver comigo mesmo. O que tu passaste na Alameda, é provavelmente o que eu vivo em todos os dias da minha licenciatura. E eu entendo isso, entendo-te a ti e à vontade de estar com ele melhor do que ninguém, acredita... Eu não te julgo. Nem te deixo.

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