TUMBLR

terça-feira, 5 de maio de 2015

Se achas que tens pouco para contar, é porque não tens noção do esforço que eu tenho de fazer para lembrar de alguma coisa que faça sentido meter aqui. Nunca encontrei nenhum crominho desse género até porque na minha faculdade é tudo muito dentro da normalidade, do que se pode considerar, os conformes. Mas tive professores engraçados. A minha professora de Matemática I e II (nas quais se inclui álgebra) era do mais retardado que existe. Não era burra, nem nada disso... Era só demasiado inteligente para dar aulas. Fisicamente era tal e qual a Alda Pires, não sei se tiveste o prazer de conhecer... Aliás, agora que penso nisso, psicologicamente também tinham muito a ver. Mas continuando, eu estava sempre ao lado da Inês e naquelas aulas não fazíamos nada porque era impossível perceber o que a senhora passava uma hora a tentar explicar... Algures no meio da aula começámos a rir-nos e a senhora parou a aula para nos dar um raspanete. Se queres que te diga, já nem sei do que nos ríamos, mas sei que enquanto ela nos ralhava, nós não conseguimos conter aquele sorrisinho parvo de quem está mesmo a chegar ao limite; até que ela diz que teve um professor que deixava os alunos fazerem tudo, até ler o jornal, desde que não fizessem barulho a virar as folhas... Agora que exteriorizo isto nem tem assim tanta piada, mas nós desmanchámo-nos a rir na cara dela... Não foi bonito, eu sei, mas foi o melhor que consegui. Ela disse que aquilo era fantástico, ela estar a falar connosco e nós ainda nos rirmos sem razão aparente, mas passou. Apesar de tudo, ela mantinha uma boa relação com os alunos, também era o mínimo, coitada. No segundo semestre tive um professor que não era português, mas que se me perguntares qual era  a nacionalidade dele, eu ainda hoje não te sei dizer. Corria o boato de que era francês, mas de francês ele não parecia ter nada. Chamávamos-lhe Jólórró só porque o mail dele era com esse nome e dava Análise da informação económica e empresarial, cadeira chata que ainda hoje não sei para que serve, nem tão pouco como a acabei. A verdade é que ele falava muito mal, mas esforçava-se imenso.. Ao ponto de a cada duas palavras uma ser "potanto" e é mesmo potanto, sem R. Ele tinha dificuldade em dizer os r's e também tinha dificuldade em falar sem dizer potanto... Era o suporte dele, basicamente. Chegou a dizer numa frase potanto potanto, o que dito por ele tinha muita piada. Usava uns óculos fundo de garrafa e  acabava as aulas uma hora antes do que estava no horário, mas ele sabia. Não que fizesse grande diferença... Era mais uma aula em branco para nós. Mas quero que saibas que no ISEG nem tudo é mau, este semestre tenho um professor de Macroeconomia II argentino nas práticas. Era o aniversário da mãe do Paulo e nós estávamos a discutir forte e feio. Sei que estive muito tempo ao telefone com ele e depois fui para a aula ainda com olhos de choro... Em duas horas nem sempre contive as lágrimas e o professor discretamente passou pelo meio do anfiteatro e deixou-me um pacote de lenços na mesa. Achei tão amoroso... A verdade é que eu não tinha mesmo lenços e aqueles deram-me um jeitaço. No fim, ele perguntou-me se estava melhor e se era mal do coração, acenei-lhe só que sim tal era a minha fragilidade. Não é que ele seja bom professor, fala super mal português e eu já nem sequer vou às aulas dele, mas duvido que qualquer bom professor tivesse o gesto que ele teve naquele dia. Deu-me o conforto de que eu precisava na hora em que fiquei completamente abandonada. 
Mas também, nem só de faculdade se vive e fora dela, sinto que sou uma pessoa muito mais viva. É como se na faculdade eu fosse uma sombra ou uma miragem, todos sabem que eu estou lá e com sorte até o meu nome são capazes de conhecer, mas não se chegam, não se dão. Não me importo nada que assim seja, se queres saber, mas sei que na faculdade não sou eu própria. É difícil viver uma vida menos interessante do que aquele que outrora vivemos, mas saber que à terça chego a casa com a certeza de que na quarta feira vou passar o dia com ele, saber que vou poder estudar ao lado dele ou dormir a sesta na nova cama que agora tem... Isso dá-me ânimo para encarar os outros dias todos. E eu gosto de viver assim, gosto muito. 

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