Acho que no meio de tanta mudança, acabei por me habituar a guardar os problemas quentes para mim. Apesar de ser um livro aberto e não esconder nada de praticamente ninguém, aprendi a guardar o que se passa no convento aqui dentro. Guardo sempre com toda a força que tenho, mas há alturas em que não suporto mais. Os problemas dão-me pontapés e a dor é tão forte que por entre lágrimas imploro por que alguém me ouça, por duas ou três palavras. Esse alguém nem precisa de falar, eu só preciso de saber que há uma pessoa neste Mundo disponível para receber uma mensagem com 3000 caracteres em que no mínimo, 2500 são asneiras e os outros 500 palavras ditas de cabeça quente. Só preciso de saber que esse alguém, mais do que estar disponível a receber, vai ler esse meu monólogo e que, vai eventualmente responder, mesmo que não tenha o mesmo entusiasmo que eu tive quando lhe escrevi. Foi esse alguém que mais falta me fez porque apesar de realmente ter recorrido a outras pessoas, sentia sempre que estava a incomodar. Sentia que o pensamento que lhes assaltava a mente era que era só mais um dos meus dramas e que ia passar, quando para mim cada drama é como se fosse o fim, ali anunciado. Pode parecer infantil, mas alguém teria de entender esse meu lado meio melodramático. E esse alguém és e sempre foste tu, que me recebeste de braços abertos a cada drama que na minha vida aparecia. Que davas pelas minhas paixões antes mesmo de eu saber delas. Que me convencias a não desistir nunca, mesmo que o rapaz em questão namorasse há 3 anos com outra pessoa e não se interessasse pelo Mundo em geral. Tu sempre foste uma espécie de bateria externa para mim, que sempre que eu ia abaixo, estava lá para me auxiliar e lembrar da força que sempre tive. É, acho que é a melhor analogia que poderia encontrar... Não me esqueço da força que me deste sempre que cheguei perto de ti por entre lágrimas. Não me esqueço das vezes que apanhaste os meus estilhaços na casa de banho, quer tenha sido por me terem partido o coração, quer tenha sido por ter partido o coração a alguém e não saber mais o que fazer. Há feridas que magoam e dessas eu nunca me vou esquecer, não pela intensidade da dor porque entretanto passei por pior, mas pela forma como alguém algures no Mundo, por pura sorte perto de mim, quis ficar e me agarrou com toda a força que arranjou naquele momento e com toda a força que desejava que também eu tivesse. Eu não gosto dele. Nós namoramos, mas não é nada disto que eu quero. Num dia, parece que tudo mudou, que o Mundo ruiu sobre mim. Disse-te isto enquanto soluçava e enquanto procurava respostas em mim porque precisava das dar a alguém. Num dia tudo mudou e apesar de saberes que não tinha de ser naquele dia, quatro dias depois já dava. Por mim já podia ser. Tinha-me recomposto, percebido quem me dava valor e o que poderia perder por caprichos. Eu nunca gostei de ninguém na minha vida como gostava dele. E por incrível que pareça, a cada dia que passa gosto mais. É, eu acho que tu sempre soubeste isto e acho que sempre o disseste. É, tu foste a primeira pessoa a dar por nós, num tempo em que eu só me conseguia ver a mim num reflexo vazio e isso só mostra que me conheces melhor do que eu própria.

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