Não sei quem foi trocada por mim, acho que nunca me debrucei muito sobre quem esteve na tua vida antes. Nunca pensei se alguma vez terias tido uma melhor amiga ou se por sombras, ela teria sido melhor do que eu. Ao contrário do que me acontece com outras pessoas, nunca procurei pelo teu passado porque sabia que te estavas a tornar numa pessoa melhor. Porque sempre acreditei no teu melhor, no melhor que muitas vezes a maioria não era capaz de ver. Nunca foste a pessoa mais fácil do Mundo, mas eu gostava dessa pequena luta diária que era necessária para te ir conquistando. Também não sei em que momento me interessei por ti. Sei que num dia não gostava, nem desgostava de ti e no outro dei por mim a desabafar tudo contigo. Quem eu realmente queria, quem eu sempre quis e quem nem por sombras me enchia as medidas. É, sempre te contei tudo o que me corroía por dentro, mesmo quando não te conhecia assim tão bem e não tinha a certeza que fosse o mais certo. A verdade é que nunca parece o mais certo. Sempre tive tendência a querer tudo, nunca quis abdicar de nada nem por um segundo. Deixei o Guilherme porque o meu coração batia pelo David e caí. E foi aí que chegaste tu para me levantar, pela primeira vez, talvez ainda a medo seguiste-me para a casa de banho e deixaste-me chorar. Sabes, essa queda era completamente desnecessária e quero que tenhas a noção de que eu cresci ao ponto de saber reconhecer quase todos os erros que cometi. Hoje sou capaz de ver que baralhei tudo com o David, que o lugar dele na minha vida estava definido e bem como se encontrava. Não havia necessidade de criar esse mal-estar, não havia necessidade do obrigar a mandar-me ao chão sem ele próprio querer. Também sempre tive a sorte de ter para onde voltar. Os meus portos estavam bem definidos e sou capaz de me lembrar de todos. O David não era um amor na minha vida, o David era um dos meus portos, era alguém com quem eu podia contar e a quem eu fiz o favor de me afastar. E foi o melhor para todos e acabou assim. E acabou assim como todas as pessoas porque as amizades de secundário são mesmo assim, efémeras. Nunca te contei, mas no baile de finalistas, a seguir a ler o discurso que com todo o amor escrevi em nome da nossa turma, sentei-me a chorar compulsivamente. Deparei-me com o fim, com o fim que eu nunca soube aceitar. Percebi naquele momento que estava tudo a acabar e voltei a cair. Acho que o fim é a situação com que eu menos bem sei lidar. Não sei viver para além das coisas, não sei suportar a dor, nem ultrapassar o hábito. O fim é tão definitivo que me faz perder o ar. Momentos depois de estar abraçada ao Paulo, apareceu a professora que sempre melhor me entendeu e fez-me perceber que aquilo não era o fim de nada. Que aquele podia bem ser um princípio. O primeiro dia do resto das nossas vidas. Lembro-me de caminhar abraçada a ela e a consentir tudo o que ela me dizia como se de um juramento se tratasse. Ainda assim, senti a tua falta. Queria que tivesses sido tu a lá estar. Podias ter dito exatamente as mesmas palavras que ouvi, mas seriam tuas e isso faria toda a diferença. Não sei bem qual foi o último dia em que te vi. Não sei qual foi a última coisa que te disse, mas tenho a certeza que não foi um Adeus ou que pelo menos que não a encarei como uma despedida. Lá está o meu medo do fim... Nunca digo adeus, dá-me sempre a ideia de que estar a acabar tudo ali e que não há nada para além disso. Nunca me despedi de ti, nem quero. Porque és tu quem me segura quando todos os outros fazem questão de me mandar ao chão

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