São sempre as pessoas de fora que mais tomam atenção àquilo que somos. São sempres elas quem mais nos observa e quem desse observação é capaz de retirar a nossa essência. Como sabes, este ano mudei de turma e para ajudar à festa, ainda ia assistir a uma aula de Microeconomia II a outra turma. Não era por nada de especial, era só porque assim saía mais cedo e nada me prendia à outra aula.Para ser franca adorava o professor. É daqueles que ninguém gosta, mas que eu percebo na perfeição. Só tem o contra de teres de apanhar a aula do princípio ao fim, não podes adormecer porque dificilmente apanhas o raciocínio, não podes deixar de te sentir na mente dele porque só assim entenderás os caminhos por que ele envereda. Mas continuando, íamos para aí na terceira semana de aulas e eu estava à porta da sala dessa mesma aula à espera que chegasse a hora. Estava sozinha e aparece uma rapariga, que agora sei que se chama Beatriz que me diz És a Daniela, não és? A que sabe imenso de Micro! Eu sorri. Sabia que era a Daniela, mas nunca tinha pensado no facto de perceber ou não Micro. Para mim fazia sentido, mas ao que parecia, mais de metade da restante população não concordava. Acabei por acenar, mas aquelas palavras ficaram-me na cabeça. Percebe de Micro... Nunca ninguém me tinha dito isso, era preciso vir alguém cujo nome nem conhecia para mo dizer? Ao que parece sim. Porque eu fui ao teste e tive 20. O único 20 naquela pauta. 20,0. Para não haver dúvidas. O meu coração explodiu de felicidade e nesse momento quis recuperar aquela Beatriz que entretanto já não estava comigo e não sabia a razão que tinha. Por outro lado, há Lilianas. Nunca gostei de Lilianas, mas esta de que te vou falar é a que gosto menos. Chegou ao pé de mim e disse-me que eu tinha tido 20. Que novidade. Depois perguntou-me Mas sabias as coisas ou foi ao calhas? Sim, amiga. Eu fiz 20 perguntas ao calhas e acertei em todas. Sou o génio das lotarias. Preencher boletins é comigo. Não lhe respondi e e entrei no autocarro. Com isto não me quero gabar do meu dom a Microeconomia nem nada disso, só quero que entendas que há extremos nos outros que são só os outros e que por enquanto não conheces. Os outros podem ser como a Beatriz que em 4 horas me tirou a pinta ou como a Liliana que não aceitam que sejas diferente deles e que fazem questão de te confrontar com essa tua diferença. Que querem fazer-te sentir mal por não te enquadrares o que não é necessariamente mau. Eu não me enquadro, tu não te enquadras. A probabilidade de alguém chegar a um sítio e não se enquadrar é bastante grande até, pelo menos eu acredito que sim. Mas a probabilidade de sermos felizes é igualmente grande. Pelo menos, quero acreditar que sim. E acredito também que mesmo que sintas que viveste de certa forma aprisionada em amarras que não escolheste, mesmo que te tenhas sentido cega, foste feliz. Sentiste-te bem. Apesar de conheceres os factos e saberes que não era o melhor para todos, escolheste pelo teu coração e fizeste o que te parecia mais acertado na altura. Se o era? Não, não era. Se os outros souberam ver que não o eram? Quase todos conseguiram, sim. Mas é como te disse, os outros são só outros. Em algumas vezes estão certos, mas noutras só não aceitam a tua diferença num Mundo de iguais. Só tens de decidir se vais ser feliz com as Beatriz da tua vida ou se vais dar ouvidos às víboras das Lilianas. Por mim, eu fico contigo, ponto.

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