TUMBLR

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Tenho de te contar a forma como li o teu último texto. Tive exame às 15h, como te disse, mas às 14h e picos já estava na faculdade. Não tinha assim tanto para fazer, mas gosto de ter a certeza de que não chego tarde. Cheguei ao salão nobre (o ISEG tem um salão todo pipi onde às vezes tenho a sorte ou azar da fazer exame) e estava o meu professor de práticas com um grande sorriso. Assim que me viu, perguntou se eu estava preparada e respondi que esperava que sim. Afinal, o que é que podia responder naquela altura em que a única coisa que os nervos me faziam era sorrir? Ele respondeu-me De certeza que está... Boa sorte! A meio do exame, quando eu já estava prestes a arrancar o meu próprio coro cabeludo, chegou-se ao pé de mim e disse que eu tinha um exercício mal. A verdade é que era um exercício ridiculamente fácil que eu ia errar e que ainda por cima, impedia-me de acertar os seguintes. É, parece que quando chegamos à faculdade a regra que o Adérito dizia de uma alínea nunca poder depender de outra deixa de ser válida. A verdade é que me deu o valor certo e acertei também a outra que dependia dessa. Sempre gostei daquele professor que se ri de uma forma mais engraçada do que as piadas que conta, coitado. Mas continuando. Esse foi dos poucos exercícios que consegui fazer e assim que saí do tal salão nobre desatei a chorar. Queria desaparecer do Mundo, não queria saber do exame de amanhã, aliás, não queria saber de mais nenhum, só queria saber deste para o qual estudei todos os dias, abdicando de todos os outros e que me deixou mal, muito mal. Não falei com ninguém, a não ser com a minha mãe, assim que a ouvi dizer que não fazia mal e que tinha mais uma oportunidade desatei a chorar e foi basicamente até agora. Estou fechada a estudar para mais um exame a chorar de dois em dois minutos sem razão aparente, a não ser aquelas malditas duas horas em que não consegui fazer nada de jeito. Às vezes não supero assim tão bem as barreiras, hein? É, sei que as expectativas estão sempre demasiado altas para mim. Sempre fui a filha com boas notas, a amiga inteligente, a namorada concentrada e aplicada. Sempre fui alguém de quem as pessoas nunca esperavam pouco e desde que ando na faculdade que me habituei a não possuir essas características maravilhosas que possui em tempos. Quem é que eu estou a tentar enganar? Eu não me habituei. Se me tivesse habituado, não tinha passado o fim de tarde a chorar que nem uma madalena arrependida sem vontade para fazer nada. Se me tivesse habituado, tinha agarrado nas coisas de Economia e Finanças Públicas e começado a estudar para pelo menos amanhã, fazer alguma coisa de jeito. Não te preocupes, eu já estou a estudar... Mas não com a motivação que teria, se tivesse feito um exame estupendo e tivesse saído da faculdade como uma que passou por mim a dizer que o exame era super fácil. Estúpida. Nunca gostei nada dela. Já viste? Tinha tanto para te contar que ainda não consegui chegar onde queria. Como te estava a dizer, saí do exame, telefonei à minha mãe e andei uns 10 minutos a pé. Não é que não pudesse ter apanhado um autocarro,  mas precisava de estar ali um bocadinho só comigo, mais que não fosse para chorar sozinha. Cheguei à paragem onde estava uma senhora sentada que apanhou o elétrico depois de me dizer Boa tarde e me deixou sozinha. Estava a ouvir música enquanto não chegava o que queria e resolvi ligar os dados móveis. Abri o navegador e estava no teu blog, como a maior parte das vezes e li. Li o teu texto no momento em que precisava de palavras sem falar com ninguém. Li o teu texto na hora certa. Não que tivesse mudado alguma coisa, não que me sentisse fantástica só por me dizeres que o era, mas precisava que uma voz dentro de mim ecoasse com aquelas palavras para não me sentir tão só quanto desejava estar. Porque eu também não queria mais vozes externas, mas queria sentir-me bem e eu não sou lá muito boa a sentir-me bem sozinha. Pousei o telefone e fiquei a ouvir música, Não sei quantas pessoas têm a sorte de encontrar a pessoa delas na efemeridade das suas vidas. Não sei quantas pessoas passarão a Estatística I à primeira. Não sei quantas pessoas sairão do exame a chorar que nem madalenas arrependidas, mas sei que eu sou uma sortuda por te ter nos momentos em que não sabes a falta que me fazes. Sou uma sortuda por estares sempre em mim, mesmo quando não estás. Sou uma sortuda por te ter como o meu discernimento, mesmo depois de tanto tempo sem o/te ter.

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