Sei que aparento a ser sempre quem tem a última palavra. Sei que eu própria criei esse disfarce em torno de mim para que todos os outros em achassem mais forte do que aquilo que realmente sou. Sei que graças a essa minha mania de me fazer de forte, surpreendo os que têm oportunidade de me conhecer melhor. Surpreendo-os assim que percebem que choro por muito pouco, quase nada, quando me vou abaixo à mínima coisa. Acho que criei esse disfarce por proteção. Sabia que se me julgassem fraca era meio caminho andado para o ser mais ainda, mas isto começou desde cedo, não penses que é uma coisa tão racional assim. Às vezes tenho pena de ser assim, outras não. Gosto do facto de poucas pessoas me conhecer-me realmente, mas chateia-me quando muitas das vezes esperam mais de mim do que o que consigo dar. Pelo menos do que consigo dar sem chorar. Sou capaz de levantar a maior tempestade do Mundo, de discutir até ficar sem voz e jamais dar parte fraca, mas podes ter a certeza que no fim desses momentos... Assim que viro as costas, os meus olhos enchem-se de lágrimas e desabo em 2 segundos. Eu acho que sabes. Acho que sabes que não sou tão determinada como tu e que só o posso parecer por ter o coração ao pé da boca e muitas das vezes não conseguir pensar antes de falar. Dentro de mim parece estar tudo demasiado perto, demasiado perto para eu conseguir controlar tudo. Ponho os pontos nos i's e muitas das vezes arrependo-me. Aliás, sempre que hesito em alguma coisa, tenho tendência a arrepender-me, mas ontem não. Ontem eu sabia o que não queria e o que eu não queria era ir embora assim. Só assim. Não queria que nos deixássemos depois de tão pouco tempo até porque nunca se sabe quando será a próxima. O facto de não saber quando voltarei a ver as pessoas assusta-me. Assusta-me deixar o Paulo sem lhe dizer Até amanhã porque eu quero vê-lo amanhã e depois e depois e em todos os dias. E eu não gosto ou melhor, eu odeio sair do pé dele sem saber quando o voltarei a ver. Sempre pensei na eventualidade de um de nós ter um acidente, daqueles graves, sabes? Em que não poderemos avisar o outro e em que o deixaremos à beira de um ataque de nervos até saber que estava a ser injusto e que a causa era mais do que nobre. Sempre pensei ou imaginei, nessa eventualidade, como saberíamos? Como chegaríamos lá? Certamente que uma mãe numa situação destas pensa em muitas mais coisas do que telefonar à namorada e então aquela... Receio sempre chegar tarde demais. Odeio atrasos, mas o tarde demais nem é ódio... É medo. E é assim com todas as pessoas. Tenho medo que caiam e se aleijem e não consigam avisar ninguém. Estamos na era da comunicação, mas depois de mortos já ninguém comunica e isso assusta-me. Tal como penso em se fosse parar ao hospital, quem se daria ao trabalho de me visitar, penso também em se eu fosse parar ao hospital, quem seriam as pessoas que conseguiriam saber de tal coisa. E eu quero que uma dessas pessoas sejas tu. Eu quero comunicar contigo, sempre

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