TUMBLR

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Voltei. Pelo menos o meu corpo voltou, mas a minha mente continua a passar por aquela pequenina aldeia, pelas rotinas mais banais que por lá vivi, pelos hábitos que lá criei. Estou numa espécie de ressaca que sinto sempre que viajo com ele, mas desta vez foi diferente. Desta vez quis ter a certeza de que aproveitava todos os segundos de todos os dias que pudemos lá estar, primei por nunca o envergonhar e por o acompanhar a todos os sítios que ele desejava ir. Ainda agora cheguei a já morro de saudades de coisas tão banais como levantar-me e tomar o pequeno almoço na melhor companhia do Mundo a olhar o rio. Era capaz de ma habituar a viver naquele ambiente calmo se fosse sempre compensado por aquela agitação caseira que tão bem conheço. Fui feliz, fui muito feliz e sei que fiz sempre o melhor. Não venho com uma mágoa no peito por não ter feito isto ou aquilo ou não ter aproveitado tudo quanto podia... Não. Sei que ri quando tive de rir, sei que ri muito e sempre. Sei que me comportei e que não envergonhei quem me criou assim, risonha. Sei que me meti no meu lugar e que não mandei todas as responsabilidades para cima dos outros. Sei que ensinei pessoas a jogar keims como nunca imaginaram que jogariam e que expliquei hábitos que nenhum deles tinha. O nosso quarto devia ser o mais desarrumado de todos, mas isso é de praxe. O nosso canto era adorável, apesar de ter duas camas, dormíamos os dois numa e por muito calor que estivesse, nunca nos separávamos. Usei T-shirts dele. Adoro a sensação de vestir uma camisola grande, uma peça que não me pertence, mas que adoro por esse simples facto. Tomámos os dois banho numa banheira redonda com vista para o rio. Deixaram-nos uma manhã sozinhos precisamente para isso. Brinquei. Brinquei muito e estudei pouco. Apanhei sol e um escaldão de todo o tamanho  na cara. Fiquei afónica. Ainda hoje estou praticamente sem voz. Adormecia às 2h, às 4:30h e às 6h da manhã. Acordei ao meio dia.  Deixei que brincassem comigo porque apesar de tudo, era uma espécie de centro das atenções.Na primeira noite, enquanto jogávamos keims, a tia do Paulo começou a distribuir pequenos embrulhos da Rituals às mulheres... Não me apercebi, mas fez questão de explicar que era uma lembrança e que a oferecia por estarmos todos juntos. Depressa calculei que não haveria para mim, pois faria todo o sentido e eu não me sentiria mal. Mas não. Pelo contrário, a minha era maior ainda. A Beta, que é como se chama, chegou ao pé de mim e disse Para a nossa caçula, o presente é maior. Quando abro, vejo que acertou numa oferta que procuro há meses, vejo que acertou na muge, Era uma paero, cor coral, lindo e a cheirar bem... Tinha ainda um creme como as outras, mas o miminho encantou-me. Depois disso,  fiz com que o Dioguinho, o primo pequenino do Paulo e filho da Beta, entrasse na piscina grande. A muito custo e ao meu colo lá foi... Hoje tenho a certeza de que já não quer outra coisa. Nunca me deu tanto prazer meter a mesa, também nunca tive uma companhia tão boa para o fazer. Joguei volley. Atrapalhei mais do que joguei, mas divertimo-nos todos, tenho a certeza. Cheguei ao Porto e a tristeza abateu-se sobre mim. Não queria que tudo acabasse, tudo passou depressa demais. Quando estava para entrar no comboio, as lágrimas quiseram assaltar-me a visão. Não dei parte fraca, a despedida foi depressa demais pois tivemos de correr para não perder o nosso transporte. Sofri na viagem, queria que fosse eterna ou que voltasse para trás. Ainda hoje quis acordar no mesmo quarto em que acordei ontem. Ainda hoje quis vestir-me a seguir ao nosso pequeno almoço e saltar para a piscina. Jogar volley ou à bola e dar um mergulho por estar a morrer de calor. Acho que vou sempre desejar voltar ali ou a qualquer outro sítio que me permita ser assim tão feliz. Tenho a certeza de que nunca me vou esquecer destes 4 dias que sem dúvidas, foram dos melhores da minha vida.

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