TUMBLR

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Acho que sempre te conheci assim. Eternamente insatisfeita por seres tão insaciável. Acho que no fundo é a tua essência e tu própria deixaste de acreditar que isso um dia mudará. Acredito que ainda assim conseguirás ser feliz com toda essa tua insatisfação e acredito ainda com mais força que farás muitas pessoas felizes à tua volta. Todas as que tiverem a sorte de se cruzarem contigo. Ao fim de 5 dias consegui vir escrever-te e queria muito falar-te do livro que estou a ler. O segundo em 5 dias. Ninguém me conhece como tu. A princípio podia parecer um romance como o que li anteriormente, com duas personagens que se Amam loucamente e que o destino faz o favor de primeiro separar e depois unir, sendo que no fim, ambos sentem que ninguém os conhece como a pessoa que esteve 20 anos afastada. Mas não é nada disso. É uma história de duas amigas. A Eve e a Lily. Amigas de infância que se conhecem desde que se lembram. A Eve era a rapariga com a vida estável, mãe, pai, irmão e uma casa cheia de amor. A Lily foi uma gravidez indesejada e a mãe nunca a perdoou por simplesmente ter nascido. Cresceram juntas, mas adivinha, a ida para a faculdade separou-as até ver, irremediavelmente. A Lily era um crânio no secundário, ia para medicina e todos sabiam que ia dar-se bem. Teve de ir trabalhar no Verão antes do ingresso para arranjar dinheiro e foi a última vez que estiveram juntas em 20 anos. A Lily podia ir para a melhor universidade do país, mas não quis. Não quis porque fez questão de ingressar na única  onde o namorado conseguia também entrar. A verdade é que nada foi assim. O tal namorado, o Clevand, pediu à Lily que se decidisse por enfermagem e desistisse de Medicina. No fundo não se queria sentir inferior a ela e a pobrezinha assim fez. Entraram os dois na faculdade e deixaram todos os outros. Nunca mais ninguém ouviu falar de tais pessoas que casaram aos 19, tivera, 2 filhos e vivem uma vida parcialmente feliz. É verdade, não falei mais da Eve... Decidiu ir para um curso de moda em Londres, mas acabou por vingar na joalharia e fez vida e sucesso nos Estados Unidos até ao dia o que o pai morre e ela decide voltar para a terra Natal. Volta e envolve-se com um antigo namorado, casado. Ah pois, a Eve nunca casou, nem se prendeu a nada. Exceto a este Ben de quem nunca se esqueceu e nunca deixou de Amar. Envolvem-se numa noite quente e são atropelados. Ele em estado vegetativo, ela toda fraturada, chegam ao hospital da Lily e o reencontro acontece. O destino uniu o que separou e eu acredito que é sempre assim. O destino uniu-nos, separou-nos e acho que algures em ti e em mim há uma Lily e uma Eve. Sei que és a Lily, mas tenho a certeza de que não sou a Eve porque não sou desprendida de nada. muito menos de quem gosto. Sei que tal como a Lily foste capaz de abdicar de tudo o que tinhas, inclusivé das tuas decisões. Sei que gostas do teu curso, mas tenho a certeza de que foste impulsionada por ele. Mas quero que saibas que tenho a certeza de que tal como ela, vais saber tirar o melhor do teu marido, seja ele quem for e vais ser uma mãe exímia. Sei que vais ser muito mais determinada do que esperas e muito mais certeira do que ambicionas. Não me perguntes como, mas sei. Ainda vou a meio do livro, não sei ao certo o que aconteceu para elas separarem, mas sinto que algo ali rebentou. Quero que saibas que durante muito tempo senti esse mesmo medo... Que a causa do teu afastamento tivesse sido um erro meu, que a culpada fosse a suposta vítima. Nunca me achei uma vítima, mas agora acho que me vejo mais assim. É horrível, eu sei. Mas queria partilhar contigo o quanto me senti a reviver 1001 coisas nossas e tenho a certeza de que vou continuar a vir aqui contar-te a história delas. Porque eu ainda gosto de ser um livro aberto para quem gosto.

p.s.: Gosto de ti. Gosto de ti.

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