TUMBLR

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Há alturas do meu dia em que nada parece fazer sentido na minha cabeça. Acho que à noite penso muito mais depressa do que a qualquer outra hora do dia e quanto mais tarde fica, mais sensível eu me torno. E mesquinha. Acho que acontece a todos, a noite acaba por ser o culminar de todas as emoções que experenciaste de dia, sejam elas boas ou más. Com a noite vem-me quase sempre a mesma ideia. Lembro-me do que aconteceu e desato numa espiral de acusações contra a pessoa que mais Amo. Ontem não foi exceção e pedi-lhe todas as explicações, todas as que sempre tive direito, mesmo nas horas em que me quis convencer que era melhor não. Sabes, quando tudo aconteceu descobri que sou tal e qual a Christina Yang. Lembras-te da altura em que o Owen a traiu num bar qualquer e lhe confessou esse mesmo deslize? Ela ficou dias e dias em casa, na cama, onde lhe exigiu que lhe contasse todos os pormenores dessa noite até à exaustão. Até os olhos não terem mais lágrimas para chorarem. Até lhe doer a cabeça, tal não era a força necessária para aguentar. Descobri que só nas situações é que sabemos como realmente somos e que perante uma traição desejamos beber todos os pormenores do acontecimento. Comigo pelo menos, foi assim. Pudesse ele ter aceite como aceitou o Owen. Tivesse ele sentido a culpa que aquele ruivo adorável sentiu... É. Ele nunca fez grande questão de me contar tudo ao pormenor. Se é que algum dia fez questão de me contar o que quer que fosse. Passaram 3 anos, a propósito, mas ainda está vivo em mim como uma ferida ao ar, ainda desejo ver as imagens do que realmente aconteceu nesse dia. Sei que ontem voltei a exigir-lho e ouvi mais do que havia ouvido em tempos. Porque é que choraste por ele, se não choraste quando a tua mãe esteve perto da morte? Porque é que choraste por ela, se raramente choras por mim? Admitiu que se aproximou dela. Finalmente. Disse que queria ajudá-la nos mil e dois problemas que ela dizia ter e não se sentiu totalmente capaz. Balelas penso eu, mas quase me calava. Porque é que querias estar ao pé dela, se tinhas acabado estar comigo? Porque eu não lhe dava nada naquela altura, imagina bem. Foi isso que ele me respondeu e esta doeu muito fundo. Não sei ao que se estava a referir, mas sempre lhe dei tudo o que tinha, mesmo que não fosse o que ele ambicionava. Mesmo que uma bimba qualquer estivesse disposta a dar mais. Havia muito mais, mas nunca passou disto. Eu com uma traição em mente que na cabeça dele nunca aconteceu. Sei que estou farta de matutar nisto e que há distância de 3 anos tudo poderia ter mudado em mim, mas continua tudo demasiado presente. Acredito que tu própria estejas exausta de ouvir-me falar sobre esta história, podes achar até que se tenho uma vida tão feliz hoje, não deveria pensar em coisas do tempo da Maria Cachucha, mas trairem a nossa confiança é algo que me deixa fora de mim e em tempo algum se apagará da minha mente. Pelo menos agora já penso saber mais da história. Pelo menos hoje já posso dormir mais descansada. Quem sabe.

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