TUMBLR

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Por esta altura já deves pensar que por ventura eu poderia estar por Paris na sexta feira passada e que desapareci do mapa a par de mais 128 pessoas. Mas não, é certo que me senti ferida em ataques que de forma alguma me pertencem, mas ainda por aqui ando... É difícil entender o porquê de existirem pessoas tão bárbaras ao ponto de aceitar morrer em troco de algo que nem eles próprios sabem o que é. Oh, tu conheces este meu lado racional em que preciso de uma justificação para cada acontecimento da minha vida e que mesmo que não aconteça nada em mim, tento explicar a dos outros. Como é que é possível combinar-se um jantar de anos e morrer-se lá sem quê, nem porquê? Como é que é possível sairmos de casa felizes por irmos assistir a um concerto por que esperávamos há meses e não voltarmos? Como é que possível que nos esmaguem a cabeça com um tiro de Kalashnikov sem darmos por isso e o Mundo todo poder assistir no conforto das suas casas ao sangue derramado sem nada poder fazer contra um estado autoproclamado que nem é estado, nem é nada? Eu não entendo e tenho medo de tentar entender. Acho que estou a entrar em paranóia, mas quando vejo pessoas dessas no metro, sinto uma vontade enorme de sair porta fora e apanhar outro transporte qualquer. Sim, o metro é a minha fraqueza porque desde que comecei a utilizá-lo tenho um pressentimento de que é lá que algo vai acontecer quando uma tragédia destas se abater sobre o nosso país. Sei que tenho o sangue muito pouco frio e que seria a primeira a morrer, mais que não fosse, de enfarte do miocárdio. Parece que para andarmos seguros nos dias que correm, não podemos caminhar em frente sem antes olhar de fugida para trás, só por vias de segurança. Se eu própria tive pesadelos com espécies de atentados na noite de sexta para sábado, imagino como não estarão as pessoas que viveram aquela barbárie e pior ainda, sobreviveram. Não acho que a morte seja a solução, mas sei que o íntimo daquelas pessoas ficou ferido e algures morto. Sei que foram soldados de uma guerra que não compraram e que vamos todos ter de pagar. Precisava de expressar o medo que sinto de andar na rua a par destas pessoas que ninguém sabe quem são, nem onde estão. Precisava de explicar melhor o porquê de ser tão mariquinhas e cautelosa com todos os que Amo. Porque eles nunca entendem que pode ser a última vez que vamos sair de casa. Por outro lado sei que não é forma de viver, mas foi nisto que me tornei. É pessoas assim que o Mundo está a plantar. Não que eu o demonstre muito ou que diga a alguém que sinto este medo dentro de mim, mas quem se aproxima sabe. Quem se aproxima, sente. E eu queria que sentisses sem ter de dizer nada, sem ter de me intrometer na tua vida e na paz que sobre ela recaiu. Queria que estivesses mais perto de mim, sabes? Tenho saudades tuas.

8 dias

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