TUMBLR

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Hoje é o meu traçar da capa. Finalmente vou poder passá-la para o ombro e exibir os emblemas que com tanto Amor a minha mãe fez questão de coser. Sempre desejei trajar, mas a verdade é que ter o traje igual aos outros todos, com capa negra, desmotivava-me um bocadinho. Eu queria mesmo era os meus emblemas, queria que a capa contasse a minha história e assim é. Ainda não está completa, mas já me orgulha bastante. Gosto da forma como as pessoas olham para nós quando andamos trajados, mesmo que o pensamento que lhes esteja a ocorrer, seja Assassinos, mal formados... Eu sei que nós não fazemos mal a ninguém e quero que tu saibas também. Só lhes mandamos uns berros para mostrar que ali não são ninguém. Porque não são mesmo. Mostramos quem manda ali para aprenderem a dar valor às coisas e às regras que lhes vão ser impostas toda a vida. Porque nunca vão deixar de ser regidos por elas e nós sabemos. Não te digo que a praxe seja uma aprendizagem, mas a hierarquia que nela há, é. Ainda não posso praxar os caloiros porque sou só graúda, mas a partir de hoje vou ser veterana e no próximo Setembro, posso esborratá-los todos. Não tenho afilhado. Neste meu segundo ano só podia ter um e nem isso consegui. Faltei a uns 3 dias de praxe e nunca me dei a conhecer porque a Comissão do ISEG só olha para o seu umbigo, mas vivo bem com isso. Eles é que ficam a perder porque eu tenho apontamentos fantásticos! A partir do momento em que cada um de nós traja tem a noção de que não é mais do que ninguém, ali somos todos iguais, tal como a nossa roupa. E honestamente, acho que se a vida não te tivesse levado em sentido contrário, se por exemplo tivesses ficado comigo e partilhássemos a faculdade, irias perceber a magia que as pessoas que lá estão sentem e o porquê de darem tanta importância ao traje e à tradição. Sei que te podia mostrar todo este Mundo e suscitar em ti a vontade de também tu pertenceres lá, porque é sentires uma família fora da tua e eu percebi isso no traçar da capa dele, em que pude ver o que eu própria já vivi, mas do lado de fora. É um orgulho. Mas sou racional e ainda assim, respeito a opinião e a opção que tomaste e estou aqui também do teu lado se quiseres trajar ou pelo menos benzer a tua pasta, a pasta que todos os que te Amam com todo o Amor, irão construir. E eu vou lá estar também, até porque irá ser ao mesmo tempo, no mesmo sítio. Gosto de ti e sempre compreendi as tuas opções, mesmo que não entendesse, mesmo que não percebesse, eu compreendia. Compreendia que é a vida que leva a que as pessoas tomem decisões inconsequentes e que tu eras demasiado inteligente para fazer algo que não desejavas e por isso, conformei-me. Tal como renegaste a praxe, tal como renegaste grande parte do Mundo. Eu sabia que eram decisões coerentes e pensadas e a partir de dada altura, desisti de tentar interferir nelas. Só quero que sejas feliz, mesmo que isso implique seres contra o Mundo, mesmo que isso implique seres irreverente e não gostares de ninguém. Eu gosto de ti assim. 

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