Namoro há pouco mais tempo que tu, talvez uns 5 meses, não sei ao certo. A verdade é que o que ao início parecia um grande avanço, neste momento é já relativo e eu prezo muito o teu bem-estar. Sei como tu és, conheço-te até ao mais ínfimo pormenor, arriscar-me-ia a dizer que te sei de cor. E sei que para chegares ao ponto de precisar de exteriorizar os teus medos, é porque te estavam mesmo a atormentar. Sabes, eu sempre achei a tua relação mais adulta do que a minha, mais madura, mais à prova de tudo. Mas ao longo do tempo, dos meses, dos anos... Percebi que o que construí peça a peça é tal e qual a ponte 25 de Abril, basta uma aragem e todos nós abanamos que nem varas verdes. Eu tremo por dentro sempre que algo se aproxima e a verdade é que há coisas a virem e a irem praticamente todos os dias. Mas sabias que essa mesma ponta é o sítio mais seguro para se estar em caso de sismo? Porque abana, mas não cai. Como tudo. Aliás, eu sempre tive medo de coisas muito fixas. Sempre achei que a caírem, o estrago seria maior e esses seriam danos que eu não conseguiria sustentar e provavelmente, nem tu. Não que não tenhas toda a força do Mundo, mas as pessoas entranham-se de tal forma em nós, que apesar de se tornar um hábito muitas das vezes, hesitamos em deixá-las por não conhecermos o Mundo para além delas. Pelo menos, é assim que vejo a maioria das relações. Ao longo da conversa que tiveste comigo ontem, perguntei-me se seria eu a culpada do teu despertar. Perguntei-me se o facto de nos termos reaproximado, teria abalado o teu coração e mais uma vez não conseguiras consiliar isso, mas sabendo que cresceste, acreditando que entraste numa paz de alma que te permite dar Amor a todos, percebi que não. Que não passava de uma crise existencial, só que tu, ao contrário de mim, não o queres exteriorizar. Se tivesse sido comigo, mandava-o para o caralho, dizia que o odiava e que nunca mais o queria ver à frente. Deixava de lhe responder às mensagens e quando não aguentasse mais, diria que estava cheia de saudades dele e que já não aguentava o Mundo sem o ter do meu lado. É muito assim que funciono e certo ou errado, tenho dado com a pessoa que me apara esses golpes. É sabido que quanto mais tempo passa, mais ele afirma estar cansado e farto da situação, mas ainda acredito que vou conseguir mudar. Afinal, esta insegurança toda tem de ir embora algum dia... Espero eu. Aprendi a ser assim desde que aprendi a viver parcialmente sozinha nestas ocasiões. Estava chateada, mas não ao ponto de o querer contar a alguém, não por não serem pessoas suficientemente boas, simplesmente não eram o suficiente para mim. Não ao ponto de entrarem em mim dessa forma. Por isso quem pagou foi o pobre do rapaz. Foi a minha rede nos bons e maus momentos e mesmo quando não devia falar com ele, quando não devia magoá-lo mais, continuava até à exaustão. Não lhe fiz, nem faço nada bem, como te disse, espero mesmo mudar. Cheguei a perguntar-me como tu reagias nestas ocasiões, se realmente não tinhas mais ninguém, como aturarias a tua própria psique, como extravazarias toda a tua raiva... Ainda hoje não sei como o fazias, mas sei como o fazes. E obrigada por teres confiado em mim, obrigada eu miúda

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