Numa coisa tens razão, sei exatamente como quero que tudo aconteça. Tenho tudo planeado até ao mais ínfimo pormenor e é por isso que tendo a sofrer por antecedência muitas mais vezes do que as necessárias. Talvez seja por essa minha obsessão que todos me consideram um tanto ou quanto controladora, não só em relação a quem me rodeia, mas em relação a mim própria. Para mim, pisar o futuro ao incerto é uma tortura. Não gosto de não saber o que vai acontecer, não gosto de não ter tudo sob controlo. Não é que eu não goste de surpresas... Eu não gosto é de saber que não me conhecem, não quero encarar a realidade e perceber que a minha vida pode não ser tão idílica como eu a vejo à noite antes de adormecer. Aliás, eu chego a influenciar as pessoas de tal forma que quando me tentam surpreender, já sei exatamente o que vai acontecer. Não é bonito. Nem feliz, tão pouco. Já pensei várias vezes se esta minha mania não terá o nome de uma doença, se não se encaixará num diagnóstico psiquiátrico porque a verdade é que eu me desiludo à séria se as coisas não correrem realmente como quero. Ao ponto de ter uma vontade enorme de partir tudo. E é assim em tudo, não te iludas. Se imagino uma nota que não alcanço, eu fico desiludida; se penso que me vão dar uma coisa e dão outra, desiludo-me; se falho em algum faceta da minha vida, fico pior do que qualquer possível lesado, acredita. Depois vêm os dramas existenciais. Aquelas ideias que me assaltam o pensamento, quando honestamente não tenho mais nada em que pensar e que eu esmiúço até encontrar um erro que possa tirar-me de mim. Magoo-me muito mais a mim do que a qualquer outra pessoa, podes ter a certeza, mas é inevitável ser assim. Em tempos, eras tu quem ouvia e jurava entender todos esses meus devaneios. Em tempos, achei que tinha toda a razão do Mundo pelo simples facto de tu achares que era assim mesmo. Mas noutros tempos, fui convencida de que era paranóia e que nenhuma das minhas ideias tinha fundamento. Podia até não ter fundamento, mas para mim, tinha razão de ser e isso bastava para que todos tivessem a obrigação de tentar pelo menos, entender. Sou ciumenta sim. Mas se eu tenho de entender o facto de fulano ou sicrano não o ser, então têm também de encarar o facto de eu o poder ser. Porque não é uma decisão que eu tenha tomado, não é um automatismo que eu ligue ou desligue. Agora sou ciumenta. Agora não. Acho que os ciúmes têm também a ver com esta minha mania de controlo. Não há necessidade de dar asas a algo desnecessário, a algo que é meu. Não há.
Quanto ao meu casamento, podes ser minha dama de honor. Não sei ao certo o que as damas de honor fazem, mas sei que gostava de ter, umas duas ou três. Sei que a minha madrinha vai ser a de batismo e o padrinho provavelmente também. Não me perguntes porquê, só sei que sim. Outra coisa que me anda a assaltar a mente é a bênção das fitas. Pelas minhas contas, daqui a um ano já terei todas as fitas escritas e entregues para colocar na capa e seguir para a Alameda da cidade universitária. Tudo tem de ser feito com antecedência, até porque nem todas as pessoas estarão ao virar da esquina, por isso, espero por estes dias começar a redigir a lista das pessoas a quem vou pedir um testemunho da sua passagem pela minha existência. Espero ter-te lá. Espero por uma fita tua com um texto não menos bonito do que os que escreves aqui e com todo o sentimento que demonstras ter em todas as horas do dia. Espero que estejas também lá a ver-me e orgulhosa do que eu finalmente consegui alcançar. Assim, juntas, podemos riscar um dos planos mais concretos que tenho neste momento, mesmo que ainda falte um ano.
Quero dizer-te que espero também poder sentir-te, só não sei quando, nem como, nem onde. Não tenho coragem de marcar nada, nem sei como irá ser. Ainda tenho medo de estragar tudo. Aliás, acho que tenho tanto medo quanto vontade... E acredita que não são poucos. Antes disso, quero agradecer-te por tudo o que de mim dizes que é lindo e puro. Quero agradecer-te pela tua entrega e por nunca falhares. És linda, miúda. tenho 1000 saudades tuas.

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