Conheço bem esses espaços entre aulas. Sei o que é ser a única a ficar triste quando o professor diz que podemos sair mais cedo, enquanto os outros rejubilam, eu deambulo pelos corredores, pelas salas de estudo e às vezes pela biblioteca. Aprendi a falar comigo mesma, a ter vontade de aproveitar esses espaços mortos para me conhecer melhor. Prefiro isso a ter amigos de circunstância, a ter de falar com pessoas que nada me dizem. Parece que sou parva... Parece que vivo noutro Mundo, até. Esta semana foi atribulada, as minhas emoções têm andado numa roda viva e expludo ao menor toque, vá-se lá perceber porquê. Mas quero contar-te o que realmente me tem incomodado... O Mundo parece estar a ruir para as pessoas que me rodeiam, não que as minhas pessoas estejam a passar por alguma coisa, mas os casais à minha volta têm todos vindo a desistir. Aos poucos. O que torna tudo ainda mais triste... Não venhamos com balelas, custa muito mais acabar uma relação de 2 anos do que uma de 6 meses, não porque passados 2 anos Amamos mais, mas porque em 2 anos se vive em muita coisa e 2 anos deixam demasiadas lembranças. Vejo-os desistir e recuso-me a aceitar que vá acontecer comigo também. Connosco, quero eu dizer. O Paulo está sempre a dizer que eu falo como se estivesse numa relação comigo própria, mas não lhe vamos contar que voltei a falar assim, está bem? Continuando, queria dizer-te que sofro com a ideia que vive em mim, com a dúvida que reside... E se tudo acabar? O que é que eu faço? Eu sei que posso evitar discussões, eu sei que não o vou trair. Eu sei que não lhe vou dar razões para ter vergonha de mim, mas mais triste do que todas estas razões para acabar com uma relação é quando não há uma. É quando vai acabando sem ninguém dar por isso. Ou quando vai acabando e ambas as partes dão por isso sem sequer fazerem nada. E eu recuso-me a aceitar a ideia de que vou acabar assim. Sei que já o disse e que em nada sou superior às pessoas a quem isto acontece, mas não quero acreditar que a pessoa que vive em mim há quase 3 anos e meio vai ser capaz de me virar as costas um dia sem ter o impulso de olhar para trás e voltar. Recuso-me a acreditar que as pessoas são assim tão diferentes daquilo que eu conheço delas e que me podem enganar durante tamanho tempo. E portanto, penso que estou numa fase de recusa em que não acredito em mais nada sem ser em mim. Em que me recuso a aceitar o que me dizem e pior, duvido de tudo o que me afirmam. Estou pior... Estou muito pior que nunca. Mas vai passar... Amanhã realmente volta tudo ao princípio, mesmo que seja do fim e já te disse que de certa forma vejo-me obrigada a ansiar por este mesmo começo... É uma liberdade que de outra forma não tenho. Espero que seja o último primeiro dia de um ano de aulas e que daqui a um ano já possa ter outra conversa. Uma conversa de gente crescida, de uma pessoa licenciada que mesmo que não esteja empregada terá todo o orgulho no percurso que traçou. Porque metade de mim é desconfiança e o outro é orgulho, tu sabes

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