Sempre pareceste muito decidida e segura de ti mesma. Aos olhos dos outros, eras a rapariga assertividade porque se dizias que era assim, era assim mesmo que iria ser irrevogavelmente. Costumávamos dizer que eras a rainha da argumentação e nem sempre isso era positivo, mas sentia que de qualquer das formas gostavas. Afinal, quem é que algures na sua vida não desejou ser rainha seja daquilo que for? Tenho a certeza que ao longo destes 20 anos também já passaste por esse devaneio. A verdade é que as pessoas não te conheciam a fundo e talvez por isso tenham estranhado uma atitude que eu não estranhei. Nunca consegui transportar esta minha sensação a 100% para outro alguém, mas sempre que alguém me perguntava e se mostrava muito admirada com o teu desaparecimento, eu encolhia os ombros e dizia que ia passar. Que ias acordar, mesmo que não estivesse a ser o sonho que pensavas. Não era nada disto que eu queria dizer, o que eu queria mesmo era gritar aos ouvidos dessas pessoas que interrogam todas as decisões dos outros que não tinham nada a ver com isso, que a única pessoa com o direito de interrogar o que quer que fosse sobre as tuas decisões seria eventualmente eu e que depois do ter feito, percebi que nem eu, nem ninguém o podia fazer. Porque não obtive qualquer resposta. E se doeu não obter resposta? Se doeu cada Enviar premido sem caminho de volta? Doeu. Mas quero acreditar que só me deixaste assim por saberes que eu não estava sozinha e que se em algum dia eu gritasse Socorro, estou sozinha., tu voltarias. A verdade é que vivia nessa doce ilusão por ter a noção que foi o facto de nenhuma de nós estar sozinha que nos levou à meta de ficarmos uma sem a outra. Não sei quantas saudades tive, mas sei que a partir de certa a altura deixaram de pesar. Deixou de doer o que outrora, parecia matar. Eu sabia que era a tua essência e que não havia ninguém no Mundo capaz da alterar ou sequer, ir contra ela. Sempre tive a noção que eras um ser de extremos e que não sabias, nem querias aprender a dar-te a alguém pela metade, a partilhar um pouco do Amor que és capaz de dar. Vou dizer-te um segredo... Tu tens tanto Amor para dar como todos os outros, sabes disso? Às vezes receio que te sintas mais fria e menos capaz de Amar do que todos os outros, só porque vives dentro de ti mesma e nesse teu Mundo caseiro. Nessas muralhas que construíste à tua própria volta. Às vezes tenho receio que não te lembres do abraço que foste capaz de me dar quando me (re)encontraste no Tagus, nem dos sorrisos que trocaste com todas as pessoas que já Amaste. Porque tu podes Amar muitas pessoas e eu também e todos podemos... Nenhuma será Amada da mesma forma, nem te deixará a mesma sensação, mas há um Mundo inteiro à espera do teu Amor e tu vais encontrá-lo e agarrá-lo com toda a força que reservas para ele. Porque eu sei que há um grandioso feito à tua espera e que eu, mesmo que não percorrendo o mesmo caminho, nem traçando os mesmo objetivos, vou lá estar quando o conquistares... Vou lá estar sempre.

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