Bem, não sei por onde começar... A verdade é que passou uma semana e tinha mil coisas para te contar. Para, mesmo que já soubesses, falar contigo sobre isso. Mas chega a hora, proporciona-se o momento de aqui vir e bloqueio no meio do mar que me leva até ti. Bloqueio nas mil e duas palavras que te quero dirigir. Soube que a situação que feria o teu pai terminou. Não que me tivesses contado, mas soube. Oh, é que é o meu pai quem faz os bolos para o cantinho da tua prima Sofia e ela fechou dois dias por ter falecido uma familiar, ele contou-me e eu automaticamente percebi que tinha acontecido. O que não é mau de todo, porque é muito mais doloroso vermos uma pessoa que amamos numa situação de sofrimento tal que não devia ser admissível, a deixarmos da ver e acreditarmos que está num sítio melhor. Num sítio onde não tem de ir votar, num sítio onde não tem de decidir quem a vai governar porque passe o tempo que passar, tudo se mantém intacto, num sítio sem vento, nem chuva e num sítio onde voa pode ver a Amar-vos como toda a vida fez. Eu acredito que o sítio para onde as pessoas vão é muito melhor do que este onde estamos. Não anseio por ir para lá, nem o desejo a ninguém que realmente ame, mas conforta-me a ideia de que eles estão bem, mesmo que não fiquem nem bem, nem mal.
Mas por outro lado, ainda nesta semana fiquei a saber que apareceu um conforto na tua vida. Não é nada de especial, Daniela dizes-me tu, por entre palavras que me fazem acreditar que dentro de ti, tudo o que está a acontecer é especial.Vou contar-te algo que acho que nunca partilhei contigo... A minha bisavó também esteve mal, muito mal, no hospital... Nunca esteve inconsciente, mas passou lá meses. Aliás, viveu lá os últimos meses, num quarto sozinha, a ver muito pouco e sem televisão, se não tivéssemos nós levado uma que tínhamos cá por casa. Entristecia-me bastante vê-la naquela condição, mas não tive tempo de acreditar que era ali o fim. Eu sei que é um contra senso dizer que se passaram meses e que não tive tempo de me habituar, mas a rotina da ir ver e lá estar com ela era tal, que mesmo depois de tudo acontecer, tinha a sensação de que ela continuava a esperar pela minha visita naquele quarto solitário. 19 de Abril de 2012. Uma quinta feira fria, por sinal. Cheguei a casa da minha avó como em qualquer dia normal, para almoçar e só estava a minha avó. Achei estranho, mas entrei e vi-a ao fogão. Quando realmente a encarei vi que nada estava bem e ela contou-me, Não me lembro ao certo da minha reação, mas chorei. Um choro que nem era uma necessidade, mas chorei por entre os dentes. Só estávamos as duas e só Deus sabe a vontade que eu tive de lhe dizer que estava enganada, mas não estava. E era uma dor tão forte para mim como para ela. Namorava com a pessoa que veio mais tarde a namorar contigo e não foi de todo o apoio que eu esperava ter, mas não me feriu. No dia seguinte tínhamos teste intermédio de Filosofia e soube no momento que não poderia faltar e que por consequência não poderia ir à última despedida dela. Entristeceu-me por um lado, mas por outro, sabia que ela não me iria querer numa ocasião tão pesada. Que à minha maneira podia despedir-me dela em qualquer local e assim foi. Quando há bocado te disse que não tive qualquer apoio e muito menos o que esperava, foi porque ele teve a sensibilidade de acabar comigo no dia a seguir. E tu sabes que desde aí o Paulo se aproximou de mim... O Paulo chegou, tal como alguém chegou a ti nesta semana. E eu acredito que ela me deixou no dia 19, mas quis ter a certeza de que dias depois a pessoa certa chegaria a mim. Foi ela quem mo entregou e acredites no que acreditares, acredita em mim agora. Deixa-te confortar pela ideia de que o Miguel é um conforto para ti e entrega-te se for preciso. Tu nunca foste muito boa a entregar-te a ninguém. Nem a mim. É preciso conhecer-te de uma forma muito profunda para saber que não o fazes por mal, para ter a certeza de que apesar de desejares que te conheçam, não desejas dar-te a conhecer. Mas fá-lo. Sei que não esperas nada, mas eu daqui, de longe, espero tudo. E espero pelo dia em que me mandes uma mensagem entusiasmada a dizer que está a acontecer. Que sentes o coração pular e aches que te vai saltar de tanto entusiasmo. Enquanto não o fazes, vou por aqui ficando... À espera que sejas feliz como há muito tempo não te vejo ser. Sem teres de te privar de nada porque mereces ser feliz por inteiro, miúda
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